2.8.06

Meu doce berço de cedro

em homenagem ao povo libanês

nas folhas que escoam
as gotas - pelo ósculo
(quase
um olho)
dos cedro que
habitam
os campos de glória
e beleza do Líbano
caem as gotas de meu pranto
no rosto seco
de minha gente

e chovem mísseis por sobre
as cabeças
de primos e primas, vitimados
pela
vontade
do arame farpado que se estende
na madrugada, e rouba
pedaços de família
escolas
comida

e se esvaem casamentos
(e filhos)
a morte chega rápida
(e pais)
a dor nunca se vai

quem estará mais perto de Deus?

a tal gente santa de Israel
lança a tira-colo bombas
entre os
lares
de gente como eu, e caem
dentro das almas, em fogo
a riscar de vermelho-sangue
o céu do Líbano

entre bombas e cantos...

jogam bombas
como se apagassem
a gana de coragem de uma gente
forte
amada
das danças, da música
dos lares
do cheiro de azeite, de pão
de carneiro
a temperar vidas que
resistem

como se apagassem minha memória
meus antecedentes, morais - meu ser
minha bravia redenção
meu doce berço de cedro
que embala
de tão longe
minhas
razões
minha existência

haverão bombas suficientes contra o porvir?

5 comments:

Anonymous said...

excelente meu caro Tiago

Auke Shureb said...

Caro Tiago, gostei muito da poesia, gostaria de publicá-la no jornal da comunidade libanesa do pareaná se for possivel. me mande um email:
aukeshureb123@hotmail.com

Anelise said...

E a arte mostra mais uma vez que pode e deve ser impactante...

Luis Carlos Tornim said...

métrica perfeita, tema apropriado, sentimento aflorado. muita capacidade de linguistica. meu jovem, parabens

Babá said...

e ainda tem um alguém que acredita que não há força nas palavras...
perfeito Tiago...