18.11.10

signos

manchete não dá cabo, acoberta folha de jornal, cobertor
condescendência do aplauso enche pança, pisca olho, prisma.

afago enche a cabeça, acalenta o coração, mas não transa linguagem.

e eternidade é o sorriso do velho professor, sinal de respeito
a barba branco do Haroldo, a balançar semiótica.

6 comments:

Andre de Freitas Sobrinho said...

verso libérrimo, liberadíssimo, na corrência da língua. O segundo verso, cheio de ritmo nas aliterantes pês em "pás" e "pis", melhor: "plau" e "pan" e "pis" e "pris" - grande momento moinho-de-vento, saqualé?
a homenagem, na fuça, nhã, nem me agrada, mas te entendo - saca "a musa militante" do cara? pois... proponho versão crítica, rola? claro! mas só no último verso:
o barba branco haroldo broda, tipo broadway, o balaço da bossa.

[pensar balaço, não balanço, pra um poema cheio de vontade].

curtidão, cumpadre. e tu ainda deve um post do poema incendiado; ainda deve um post no TextoTerritório.

Silêncio said...

tiago, tá tudo beleza.
vc agora é um poet in progress. cada vez mais desenvolvendo a tal consciência de linguagem, que de pound a leminski, todos consideram fundamental em um poeta. seu diálogo com capilé é uma das coisas mais legais de consciência coletiva do verso.
curti a homenagem ao haroldo. soube colher as flores certas do jardim concreto. porra, augusto de campos é, entre os poetas com mais de 60 anos, o melhor. até o ferreira gullar sabe disso.
poema balaço, poema balanço, poema explosão, foda-se! o que importa é o que maiokóvski disse: o poema bom "é claro e necessário, a mim, a vocês, ao camponês e ao operário"... e ao boêmio, velho opositor do burguês. é isso aí, chocholosa!

Andre de Freitas Sobrinho said...

love chocholosa. love love love. augustão, sem dúvida, entrevivos tem seu lugar na pilha dos não-mortos: o mais romanticão dos concretos, o menos parnaso dos hiper-parnasos, o verse-maker dos tradutores [eles inventaram a morte do verso pra poder traaduzir mais que versos - detalhe: nem pound, mto menos mallarmé falaram nada de morte do verso; invenção brasileiríssima (ver "crise do verso" de Mallarmé, o ensaio que os concretos não traduziram)]; o lance com Haroldo é a barba, não o bigode. Há uma coisa que penso, seríssimo, nessa discussão honesta qdo tratarmos recorte geracional entre nós: não haverá geração, só poetas; aliás, como sempre. Love, chocholosa. love, love, love.

Tiago Rattes de Andrade said...

Grato a vocês pelas visitas e comentários. Esse bate bola sincero é fundamental para a evolução poética. Uma lição de vida depois que conheci vocês: poesia é interação. Da interação nasce a busca, oriunda da leitura obstinada e da exposição que permite a crítica. Fora disso não há poeta.

De alguma forma, mesmo que sobrem apenas poetas, sinto que esses forjam-se nos movimentos, ou movimentações, muitas vezes erigidos num espéculo geracional, ainda que amplo e interativo.

Em resumo, creio que o ECo me fez poeta. E outras ondas vão me tocando a frente.

Anonymous said...

Não consigo comentar sua poesia......sou bitolado de mais para dar uma opinião adequada e ao mesmo tempo não sou tão ignorante para não ter visto beleza!!!

Joey KInser

João Rodrigues said...

Oi , Rattes que tal nos fazermos parceria eu coloco propaganda do seu blog no meu e vc coloca do noticias com joao no seu! me manda respostas por favor
Abraçodo João!