Em homenagem a um gênio chamado Aldir Blanc

a primeira etapa da estada
de um cara, poeta qualquer
num boteco da vida
é simples:
bebe a cerveja gelada
para amansar a garganta
para os papos mais cabeças
da vida.
Dos desagrados ou dos benfazejos,
eis que surge a cachaça.
neste momento filosofa-se,
sobre a cana, o engenho, o alambique
a sorte dos escravos, trocados por
tabaco, o carvalho, o animal
que nas costas faz tração pra nascer
o melado.
nem mesmo os mais bravios
tem estômago de aço,
e é essa a função
do tira-gosto: desfazer
o mau agouro.
e o boteco é apêndice
da xepa ingrata,
onde come-se a moela,
o coração, o chouriço,
e a pimenta vem
fazer tipo
como quem nada quer.
o final da noite
parece fim da vida
abraços, juras de amor
beijos sinceros
vem o
adeus ao bar
como quem se despede
do amor proibido
2 comments:
mais um petardo poético lindo...valeu!
Aldir blanc é o cara... o rattes tbm ;)
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