6.7.10

Bilhete

desculpe o rompante, assim cedo,
é parte de mim chegar e sair.
sempre, à forma me ergui, a sair de mim
em meio às minhas falácias e flores

nada pessoal, mas existem lábios
criados pra se manterem distantes.

um poeta é um perdedor a procurar gnoses
nos escombros de uma vida atribulada.
este bilhete que fica, na porta da geladeira
no espelho, manuscrito em batom,
na poeira riscada da velha cômoda
nas gotículas de calor da janela do quarto
na beira, pendurado, balançando os pés ao infinito
na fúria de teu despertar sincero,
este bilhete, que apenas fica.
deixo-te a dormir, lendo meus manuscritos.
me faz bem.
e retorno a minha casa,
na esperança que um dia entenda
por que parti.
assim


Foto gentilmente "cedida" por Maximiliano Thomas, um argentino nota dez. Original aqui.

2 comments:

Anonymous said...

sempre passo aqui pra te xingar na expressão poética.
essa merece um fdp³. bye.

Anonymous said...

sempre passo aqui pra te xingar na expressão poética.
essa merece um fdp³. bye.[2]