13.1.09

(nada)

hesitei, hesitava, não hesito mais
não mais permito a dor do corpo
me servir de escopo para regredir
nem tolero passos adiante
nem caso mediante sorrisos desconjuros beijos descompassos

sou poeta, sim,
sei que você não gosta destes rótulos pretenciosos
sei que tu cara de tatu,
odeia tudo que inspira liberdade
mas eu sou assim não hesito mais,
nem menos meço meu tempo
em palavrinhas maleducadas contra ti, tu, nós, vós, voz
tornei-me atirador de eliteversos,
desconversos
meu relógio já não mais para
nem faz o velho tic tac careta
de quem vê passar o tempo,
no silêncio agora eu sou assim,
eu conto um causo aumento um ponto,
invento contos disco telefones errados,
aguardo telefonemas que nunca vem,
cartas que nunca chegam
mas de peito aberto sou morno,
quente quando a hora cola
e de certo acerto o alvo
e celebro com taças imaginárias cada dia vivido,
como se fosse um passo duro em direção à nada

(aproveito pra dizer: um feliz doismilenove! poesia.arte.e tudo mais)

3 comments:

Juliana Stanzani. said...

É um fado que me agrada.
Um Nada
na água ou vazio,
parece sem peso.

Curti.
Beijocas.

Anonymous said...

nadandandandandnad
danado
da
nada

Aline Rodrigues said...

Achei. Caí aqui. Que maravilha! Repito-o então: " celebro com taças imaginárias cada dia vivido".
Voltarei talvez, sim?
Congratulations...