12.12.06

Meu bar, querido bar...

falando de bar? lembro-me de Aldir Blanc... sempre
Meu bar


meu bar, querido bar, onde
mesas de ferro compartilham sonhos com
boêmios tortos, ansiosos
onde cada gole
reflete um sonho, cada palavra é um gesto
em
meu querido bar. Refugio de minhas certezas
espaço aniquilidor de minhas duvidas
és fruto indelicado de agonia charmosa
de ser-se humano em essência

estalam copos e garrafas
sinfonia
aos meus ouvidos
e minha língua que só sossega
no doce gosto
da cana, ao me lembrar
o cheiro dos engenhos
em meus sonhos coloniais

meu querido bar
onde eu canto
e discurso tal qual Castro Alves
ou Noel
me
subverto
como Baudelaire
agonizo, choro, ao fim
na saudade expectativa de retorno
a morada
dos justos
lar de todos

espaço público

prefiro ti,
onde os fogões falam alto
e exalam aroma
dos apetitosos tira-gostos
que alimentam
seus soldados em
pratos proletários
das carnes
e tubérculos
não-nobres, dos quais
desfazem os mais abastados

prefiro ti, de frente à rua
onde vejo
as belas moças a passar
e pisar em meu coração
e despertar
meu intimo desejo
de viver

e viver, e viver, e viver
só em ti
é completa a vida

ò bar
meu querido bar

2 comments:

Marcello Fonseca said...

Sairei daquei direto pra um boteco inspirado a viver essa catarse maravilhosa meu caro Tiago.

continue me mantendo informado ddas atualizações de seu blog!!!

Mary said...

mais uma dose
é claro que eu to afim
a noite nunca tem fim
porque a gente é assim!!!!