- depois -
ficaram as marcas de pés no painel e no para-brisa do carro. pelo retrovisor, desfiava-se uma imagem de passado, um corolário da lei maior e suprema. nos permitimos.
o silêncio da paisagem permitia ouvir um cantarolar. do banco do carona, a enigmática canção anunciando o dia que penetrava por detrás dos semi-círculos esverdeados. um bater de lábios delicados, talvez mais perceptível do que a a própria melodia.
- Coloca "the balad of hollis brown"?
o pedido inusitado, apressou minhas mãos na caça por um disco do velho Dylan, perdido no portaluva, em meio a papéis velhos, lembranças gastas, objetos sem sentido, que agora - pouco importavam.
- You looked for work and money
And you walked a rugged mile
o vidro entreaberto agora permitia que o vento percorresse seu rosto, desarumasse sua franja. apresentasse sua expressão cansada, sempre disfarçada pelo olhar especial.
aos poucos ela abriu o vidro, projetou meio corpo para fora, deixou-se tocar pelos primeiros raios do sol, e a voz tímida foi projetada ao horizonte de ninguém.
- There's seven breezes a-blowin'
All around the cabin door
para que chegar? eu já estava lá.
- antes -
pouca coisa se disse. nos encontramos na cafeteria, na seção de bluerays. talvez, pela timidez de ali estar, nenhum dos dois quis sequer trocar palavras.
a noite, a tentativa de trocar palavras, não avançou. Em vão, a estratégia de trazer uma bebida, ainda nos jardins falhou. silêncio sepulcral. olhares distantes.
- Tim, tim!
foi o suficiente para que eu me sentisse o mais perfeito idiota.
em muitas horas, ela dança sozinha. verga o corpo, movimenta quadris e joga o cabelo para os lados. ao final, apenas um bilhete colocado no meu bolso, no corredor do banheiro.
Me leva pra longe daqui.
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Foto: Jaime Lee |
1 comment:
tinha que ter o depois do depois...curiosidade master total..rs
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