19.3.11

Da proibição de festas e outras formas de criminalizar a juventude



Mais uma vez assistimos um velho filme em Juiz de Fora. A prefeitura, sob o argumento de um parecer judicial, resolve impedir a realização de uma festa Rave neste sábado ma cidade.

Antes de qualquer coisa, deixo claro que conheço esse tipo de festa de perto, apesar de não ser um frequentador delas.

Chamo de velho filme por que pouco tempo atrás vimos a proibição de bailes funk no centro da cidade justificadas pela possível violência que as festas poderiam trazer. As raves seriam antros de drogas, e os bailes de violência.

Muitas proibições aconteceram, muita água passou por baixo da ponte e nada mudou. É óbvio que essas medidas nunca surtiram efeito.

A prefeitura de Juiz de Fora foi rápída no gatilho para proibir a festa. Mas tem sido bem lenta na promoção de políticas públicas que possam ajudar na conscientização e no combate às drogas. Estou errado? Alguém conhece um projeto efetivo na cidade com esse tema? Alguma parceria entre justiça e Ministério Público? Se houver, ficarei feliz em ser corrigido.

O que acontece é que infelizmente existe um caminho, com o perdão da palavra, preguiçoso, sempre utilizado. è mais fácil proibir do que compreender o que e fato representam essas festas. É muito mais cômodo a repressão do que a fiscalização e a proteção aos jovens que na sua maioria esmagadora, vão nessas festas para se divertir. Ou será que já esquecemos que lazer é um direito fundamental da juventude?

No ano passado, pessoas foram presas portando drogas na estrada que dava acesso a festa. parabéns a PM, que fez seu trabalho. É isso que esperamos da polícia. Porém isso não pode servir como justificativa para a proibição da festa. Quantas vezes, torcedores de futebol não são detidos antes de ir ao estádio com armas e similares? Vamos proibir o futebol por causa disso? Não existe o consumo de drogas em outros espaços?

Lamento crer que isso ocorre, fundamentalmente pelo fato de que o poder público não conhece a juventude e seus anseios. E como a juventude muitas vezes não representa um grupo forte e organizado de poder, acaba se tornando vítima de arbitrariedades.

Esperamos que haja mobilização para tirar esse debate dessas trevas, de preconceito e desinformação, para que a juventude possa ter seu direito pleno de se divertir, nos espaços que escolhe.

6 comments:

Anonymous said...

Pleno acordo! Já fui a um baile funk, mas não a uma rave, nem por isso acho que proibir é atitude! Se o problema são brigas ou drogas, com bata-as! Ou nunca ninguém viu brigas e drogas no alto dos passos?

Lilian said...

Concordo com sua colocação, exceto pela parte que cita da proibição dos bailes Funk da cidade, justificados por uma "possivel violência que as festas poderiam trazer". No caso, asism como nas raves não há possibilidade, mas fatos, quem morava ans mediações ou passava proimo ao antigo Free Hitz ( próximo ao mergulhão) sabe muito bem das ocorrências de vandalismo, tráfico, e violência gratuita. Assim como nas raves o consumo de drogas é fato comprovado em várias ocorrências, porém não só nesse estilo de festa, mas jf folia, exposição agropecuária, etc. A arbitariedade a meu ver está justamente na forma de abordagem se é pra proibir que proiba tudo, ou crie alternativas a todas as modalidades de festas.

Tiago Rattes de Andrade said...

Lilian, quando digo "suposta violência, me refiro ao fato de que a violência ocorre devido a outros fatores. O baile funk apenas a movimenta geograficamente. Tanto que época da proibição do baile no centro, as ocorrências não diminuiram, segundo reportagem da Tribuna de Minas. O problema portanto não são as festas, a raiz está em outras questões. Proibir a festa é poenalizar jystamente quem nada tem haver com a violência, ou com as dorgas, no caso das raves.

Beto said...

Marcuse explica...

Adriane said...

Oi Tiago! Achei o link p/ este texto no facebook da Ana Pimentel! Bom o texto, é isso aí... Nessa linha, teriam q proibir tantos jogos de futebol e outros pelo mundo a fora! Realmente, cheira a muito comodismo... Melhor deixar a PM fazer o seu trabalho se for o caso, e se querem agir em algo, fazer mais pela juventude, e não CONTRA ela!!
Lílian, beijo procê!
Beto, fiquei CURIOSA com Marcuse... ficou com preguiça de escrever? Escreve aí a tal explicação!...Se não se importa...

Renan said...

"Por trás de todo conservador, há um perverso." Sou a favor sim da fiscalização rigorosa, mas nunca da proibição de uma festa que, como você disse, está cheia de gente que só quer se divertir, e que geralmente merece isso. Reforço minha posição a respeito da fiscalização pesada, inclusive em nome da segurança das pessoas que só vão para curtir a festa, sem drogas. éé o que EU penso. abração professor ! =D