20.10.09

este, aquele, ou esse poeta

anseia a hipertensão, herança genética
que limita as bebidinhas e tira-gostos
e a vida abstêmica agrava a ansiedade
quando o labor excede a flor da vitalidade

(porém como bom poeta evita dar-se
ao luxo de respeitar recomendações
médicas, filosóficas ou psicanalíticas)

quando chega, finda dia, exausto
estende pés, pernas, coluna vertebral
no sofá a entornar pensamentos
encontra refúgio na amada
: e isso basta!

serve-se de leituras pouco ortodoxas
discos pouco conhecidos, exagera no café
sorve simpatia por seriados estadunidenses
e diverte-se ao cuidar de suas plantas


*publicado dia 20/10, editado dia 22/10, por motivos excusos e impublicáveis.

5 comments:

anel said...

rattes, já pro médico!

Anonymous said...

"rattes, já pro médico![2]"

qual especialidade? rs

Florbela said...

Meu Antero de Quental, há que se cuidar. Tal qual cuida dos versos, cuidará da cabeça. Ou deixará de fazer tipo de poeta para nos angustiar.

No mais, prossegue a caminhada rumo a torre dos versos eternos deste BRasil. Ou seria desta língua?

Luiz Fernando "Mirabel" said...

É parceiro de sindicato...agora mestre! Cuida da caixa para caber mais palavras!

Amadas são sempre o melhor conforto e discos desconhecidos nos fazem sentir únicos!Me enxergo em boa parte desse texto...

Abraço!

said...

Há muito tempo não comento aqui.
Hoje vi uma matéria sobre a nova peça do ator Paulo José que retorna aos palcos depois de 9 anos, para retratar a vida de Ana Cristina César. Não conhecia a obra dela, nem sequer o nome era comum âs minhas gavetas memoriais até ler um poema em homenagem a ela aqui neste blog. Lembre-me deste espaço dedicado a poesia.
Ao ler este novo poema, pude relembrar da qualidade e de como é bom ler poesias frescas, belas e interessantes.
Parabéns!