ressaqueado, transatlântico de flores
banhando os pés de amantes. grita lá
a mãe: menino, não vá longe no mar.
barulho e concha, silício de memória
é ostra. aberta feito alimento, artesã.
da calçada, vendo apenas as velas, eis
que embarcado um sentimento nobre
flor. traz arrasto, a noite, sorve catuaba
sopa de caranguejo
oração, odoiá.
25.10.15
15.10.15
Estudo 1
lição moral: em nenhuma
circunstância ou ocasião
cabe dizer (por modos)
que não se deve aplicar
canonismos de ocasião.
circunstância ou ocasião
cabe dizer (por modos)
que não se deve aplicar
canonismos de ocasião.
diz o dicionário que
tal pratica consiste
em visar na crítica
apenas o pragmático
(ou aplauso)
tal pratica consiste
em visar na crítica
apenas o pragmático
(ou aplauso)
sinônimo: canonismo de resultado
aprendi com os melhores
(craques da pena e bola)
que a arte não tolera
oportunismos covardes
(craques da pena e bola)
que a arte não tolera
oportunismos covardes
23.9.15
23.3.14
Seminário de poesia brasileira
I
a fisiologia das palavras - insiste,
consiste em adotar floreios.
em certo lugar já não memora,
embora insista em truques
II
sem tempo para novos manuais
e na falta de velhos, inventa
retinto, um papel que não permite
estratégias de um poema esperto.
III
lacrimeja: esqueçam tudo que li!
fogueira, isso sim, é destino vil
para um graúdo trabalho acadêmico
“A com louvor” e o indico:
IV
para publicação. antes que tudo
que escreveu forre gaiolas.
1.2.14
Subúrbio (2)
-III-
adentrar o longo beco significava cruzar
o vento que junto da panela de pressão
assobiava um samba de Cartola.
-XII-
aponta um sol laranja
de estranho nome:
- crepúsculo.
toda tarde decora
a linha reta que insistimos
em entortar cada dia,
com a teimosia de quem
insiste em viver como
disseram que não se pode.
Para ler/baixar a série completa de poemas, "Subúrbio", clique aqui.
adentrar o longo beco significava cruzar
o vento que junto da panela de pressão
assobiava um samba de Cartola.
-XII-
aponta um sol laranja
de estranho nome:
- crepúsculo.
toda tarde decora
a linha reta que insistimos
em entortar cada dia,
com a teimosia de quem
insiste em viver como
disseram que não se pode.
Para ler/baixar a série completa de poemas, "Subúrbio", clique aqui.
25.11.13
o artista
ao Dnar Rocha (25/11/2006)
cores fulgidas
paisagens torpes, condecorando
a natureza
que sobrevive
nos traços
tácitos, do sábio
pincel silencioso, onde
a inspiração respira
a modernidade
o artista
compartilha-se na obra
seus olhos
braços
e boca
sobrevivem
(entre flores e igrejas)
nos relevos das tintas
sóbrias
por sobre a tela da vida
que consagra
o olhar
o andar
do artista
que, agora, timidamente
desfila no infinito
cores fulgidas
paisagens torpes, condecorando
a natureza
que sobrevive
nos traços
tácitos, do sábio
pincel silencioso, onde
a inspiração respira
a modernidade
o artista
compartilha-se na obra
seus olhos
braços
e boca
sobrevivem
(entre flores e igrejas)
nos relevos das tintas
sóbrias
por sobre a tela da vida
que consagra
o olhar
o andar
do artista
que, agora, timidamente
desfila no infinito
![]() |
| Mar de Montanhas – Dnar Rocha |
14.9.13
b-girl
risca o ar feito fogo sacro
de assalto toma o espaço
dos calcanhares equilíbrio
procissão viva de ritmo
a meia lua fala em corpo
onde a perna em fuga avisa
o scratch marca o solavanco
não é encosto nem exu
nem maldição de preleção
e se texto fosse fenômeno
abriria mão dos pontos
se ciência fosse: descoberta
tem por hábito cruzar braços
nada se respeita, nem gravidade
nem oponentes, nem corpo
apenas o groove.
27.7.13
Das horas
jogo de cadência / envolve revolve supera
- é hora de submergir.
luta de espelhos troca de braços.
fela fere/ fole folha.
estirpe não se mede em gesto nem força
com os dentes / arranca ceroula
: exibe troféu
das veias expostas denuncia força
faz falta fôlego.
com gotas de pesar.
bebe água no cantil/ amansa língua.
- é hora de recomeçar .
![]() |
| Ilustração: Porno Paper |
29.3.13
Encantadas
“(...)O mar como um livro rigoroso e gratuito como esse livro onde ele é absoluto de azul esse livro que se folha e refolha que se dobra e desdobra nele pele sob pele pli selon pli(...)” (Haroldo de Campos- Galáxias)
horizonte em linha, o sol atento
torna as marcas vivas, usura.
retinto, o céu do cientista, (átimo
esfera em livro) fluido, azuleia
a vida - sentido biológico.
respirar um oceano em suas
algas, e lábaros - formados
por marés em choque, mar prisão.
dedilhar desenho à hora, grãos
de areia finita traçada a esperança.
em ondas fazer backsides de louvor.
6.2.13
Leia e baixe "Subúrbio"
Escrito em 2012, alguns dos poemas publicados nas redes sociais, disponibilizo agora aproveitando as palavras do André Capilé sobre, na Revista Um Conto:
Para ler/baixar "Subúrbio", clique aqui.
“não exatamente um livro – e nem livreto é. tampouco, no exacto do
termo, uma plaqueta. peça eletrônica – compartilhável – flexível no que
cito, aqui, em boa casa. aberto às alternativas, o alternativo: a
variante da peça do poético: ready made caboclo: desvio na plataforma.
entortar suportes: aguenta, já digo, melhor. e mais: tenho acompanhado,
com gosto, a performance, aberta, de Tiago. a voz, atenta, de Rattes. as
mudanças de tom. as variantes nas estâncias, no que digo: não há
nenhuma morada que, de certo, sirva só de abrigo. aponto ao Subúrbio,
que me dirijo situado: concentração no escopo; e do escopo, o corpo/a
rua: “o meio-fio circunda as curvas / das ruas morenas”. parece, mas não
é, cor local: ginga: coleio de anfíbracos. o timing da esquina: não só a
rua, mas a observação mediada da intimidade das casas baixas: “para
mulher infiel / filho ingrato / vizinho otário / amor perdido / prazer e
fé. /USE EXU ®”. tanto da música, quanto o ruído dos domingos:
“instala, a liturgia / da sacra-batucada” – a Cartolografia, para citar
Oswaldo; migué no TransBlanc, para citar concretos e Paz. o assento dos
santos, nossos acentos: nós – os todos – que viemos não a nado, para
tudo: “somos os pretos / que não aceitam / a arbitrariedade / das
sirenes / e dos silêncios”. Subúrbio é Tiago Rattes, Subúrbio sou eu, Subúrbio é nóis!”
Para ler/baixar "Subúrbio", clique aqui.
14.12.12
1
a casa avarandada, o jardim de volúpia;
talvez a janela negue o pecado, e
aos olhos de quem teme, a vida vai.
talvez a janela negue o pecado, e
aos olhos de quem teme, a vida vai.
27.11.12
2
o meio-fio circunda as curvas
das ruas morenas.
das ruas morenas.
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