14.9.13

b-girl

risca o ar feito fogo sacro
de assalto toma o espaço
dos calcanhares equilíbrio

procissão viva de ritmo
a meia lua fala em corpo
onde a perna em fuga avisa

o scratch marca o solavanco
não é encosto nem exu
nem maldição de preleção

e se texto fosse fenômeno
abriria mão dos pontos
se ciência fosse: descoberta

tem por hábito cruzar braços
nada se respeita, nem gravidade
nem oponentes, nem corpo


apenas o groove. 


27.7.13

Das horas

jogo de cadência / envolve revolve supera
- é hora de submergir.

luta de espelhos troca de braços.
fela fere/ fole folha.

estirpe não se mede em gesto nem força
com os dentes / arranca ceroula

: exibe troféu

das veias expostas denuncia força
faz falta  fôlego.

com gotas de pesar.
bebe água no cantil/ amansa língua.


- é hora de recomeçar .
Ilustração: Porno Paper

29.3.13

Encantadas


“(...)O mar como um livro rigoroso e gratuito como esse livro onde ele é absoluto de azul esse livro que se folha e refolha que se dobra e desdobra nele pele sob pele pli selon pli(...)” (Haroldo de Campos- Galáxias)


horizonte em linha, o sol atento
torna as marcas vivas,  usura.
retinto, o céu do cientista, (átimo
esfera em livro) fluido,  azuleia
a vida - sentido biológico.

respirar um oceano em suas
algas, e lábaros -  formados
por marés em choque, mar prisão.

dedilhar desenho à hora, grãos
de areia finita traçada a esperança.
em ondas fazer backsides de louvor.


6.2.13

Leia e baixe "Subúrbio"

Escrito em 2012, alguns dos poemas publicados nas redes sociais, disponibilizo agora aproveitando as palavras do André Capilé sobre, na Revista Um Conto:

“não exatamente um livro – e nem livreto é. tampouco, no exacto do termo, uma plaqueta. peça eletrônica – compartilhável – flexível no que cito, aqui, em boa casa. aberto às alternativas, o alternativo: a variante da peça do poético: ready made caboclo: desvio na plataforma. entortar suportes: aguenta, já digo, melhor. e mais: tenho acompanhado, com gosto, a performance, aberta, de Tiago. a voz, atenta, de Rattes. as mudanças de tom. as variantes nas estâncias, no que digo: não há nenhuma morada que, de certo, sirva só de abrigo. aponto ao Subúrbio, que me dirijo situado: concentração no escopo; e do escopo, o corpo/a rua: “o meio-fio circunda as curvas / das ruas morenas”. parece, mas não é, cor local: ginga: coleio de anfíbracos. o timing da esquina: não só a rua, mas a observação mediada da intimidade das casas baixas: “para mulher infiel / filho ingrato / vizinho otário / amor perdido / prazer e fé. /USE EXU ®”. tanto da música, quanto o ruído dos domingos: “instala, a liturgia / da sacra-batucada” – a Cartolografia, para citar Oswaldo; migué no TransBlanc, para citar concretos e Paz. o assento dos santos, nossos acentos: nós – os todos – que viemos não a nado, para tudo: “somos os pretos / que não aceitam / a arbitrariedade / das sirenes / e dos silêncios”. Subúrbio é Tiago Rattes, Subúrbio sou eu, Subúrbio é nóis!”

Para ler/baixar "Subúrbio", clique aqui.

14.12.12

1

a casa avarandada, o jardim de volúpia;
talvez a janela negue o pecado, e
aos olhos de quem teme, a vida vai.


27.11.12

2

o meio-fio circunda as curvas
das ruas morenas.