29.12.08
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23.12.08
CARTINHA AO PAPAI NOEL, COM CÓPIA OCULTA AO GILMARZINHO
gilmarzinho minha flor
se eu não tivesse optado
em ser professor de escola pública,
quando crescesse queria ser como você
homem togado íntegro, inteligente
mas nem por isso deixei de rasgar minha seda
por ti, homem forte da alta corte
e é por isso que neste natal
presto uma singela homenagem a você
quero que papai noel me dê,
caso eu mije fora do meu peniquinho,
um belo advogado como ti, assim
como ele deu ao Danielzinho
se eu enriquecer, ó gilmar homem-da-lei
que deus me brinde com a transubstanciação
do vinho em corpos, habeas corpus
nem quero, ó gilmar mestre-da-carta-magna,
mais de um em dois dias, me basta apenas um
em toda vida, pr’eu curtir uma onda
com a cara desses meus amigos
eu quero, muito, cantar um jingle bell
sapateando na mesa daquele delegadinho
metido a besta
quero comer rabanada e sujar de açucar
a cabeça daquele juizinho paulista
e nós, ó gilmar mente brilhante,
cantaremos, sem algemas é claro, noite feliz
noite feliz, com as boquinhas supremas
cheias de farofa
eu quero muito, muito que papai noel
me abençoe com este presente
e caso aconteça, gilmarzinho meu doce de côco,
da polícia federal cagar no sapatinho
que eu coloquei na janela do meu banco
de investimentos
você virá tal como a fada sininho
pra me salvar das garras destes fascistas
que nada entendem desta nossa constituição
nem compreendem que em ti
reina o ano inteiro um espírito natalino,
um quase amor de mãe por essa gente sofrida
que durante o ano inteiro
sofre,
sofre,
sofre comendo caviarzinhos
e bebendo prosecos,
vem comigo gilmarzinho, meu brilhante lapidado,
comemorar este natal
que gente como a gente
está acima do bem
e do mal
15.12.08
na tal
não mais prometo me comportar nem te respeitar não mais não mais ó princesa altruísta que tanto me faz feliz eu vou te atacar como um selvagem vou saquear teu universo sacana vou tornar-me um sacal te grafar em versos travessos entre pontos e travessões eu to mais querendo me afundar nessa sopa então vem me dar sopa vem me ajudar a dar sentido a essas palavras perdidas e diga sim sim sim yes pra mim sai dessas compras chatas de natal manda o papai noel pro beleléu larga essas sacolas chatolas e vem pro futrica tomar um chope geladinho pra fazer dessa manhã de sábado algo muuuuito mais legal how how how é natala ilustração chama-se Hunters do fodão do Banksy. olink taí do lado.
12.12.08
então...
versos da hora:
ei minha nobre dama
larga essa pose singela
se enxerga
a cama, mesa
me banha
10.12.08
Augusto nasceu!
esses versinhos, versinhões,
versiados,acanhados
aqui ficarão até mamãe perceber
e você nascer
não faltará pra este bebê
o que beber
de versos gelados quentes
escaldados
sonhos doces, salgados
beijos abraços apertados
"gudi-gudis"
"bilu-bilus"
pink ou blue?
tipo assim
bebê,vem que o mundo é teu
e vê se abre o olho
senão o titio aqui te versa
9.12.08
26 anos
o coração continua parado
curtindo a paisagem, se fazendo
de esperto,
o sangue nunca se esvai
não sigo rumo dos rios, fico plácido
tal qual lagoa
escuto esforçado o som da natureza
como quem exprime, ou tenta, o que
há de melhor, o que virá
fico tonto, incerto, a cada passo
evito decisões, incisões, suturas
em fuga desvio de medos
prefiro o incerto ao certinho bordado
prefiro a vida
desfiada
se cada pedaço pode
melhor ser aproveitado
eu piso nas poças
molho a barra da calça
enxarco a gola
eu quero mais é que chova no
teu quintalzinho, quero
mais é menos
quero muito
o ameno
faço 26 anos cheio de contradições
que sinto eu
são uma espécie de banquete
sem filosofia
ou sem preliminares
eu sigo
assim
em frente
sem mapa
só com uma bússola
que indica o caminho
da tal felicidade
8.12.08
Leminski fala sobre poesia
4.12.08
Duas poesias
APRENDIZADO
ao Fernando Fiorese
nesta cidade aprendi a ser poeta
(se é que isso se aprende)
doutorei-me nas mesas de bar
nos colos alheios, nas páginas dos livros
nos artigos e seus incísos
e nas ruas
por onde andei obsessivamente
calculando os metros percorridos
no chão pisado por personagens
de destaque ou anônimos
fiz banco de escola.
meu dicionário sempre foi
o “Mínimo” onde encontrei sentido
nas palavras
fiz da vida urbana uma sacada
a olhar passar os carros
as moças, os fatos
os versos que eu aprisiono no papel
ARREMEDO MALANDREADO
à memória de Oswald de Andrade
diz o culto português
na expectativa da chegada
do coletivo:
“lá vem o ônibus...”
na minha terra
resconstrói-se
a lingua máter
num arremedo malandreado e dizem:
“ê-vem o ônibus...”
e todo mundo é feliz
eveindo vida a fora...
2.12.08
Eco! ooooooooooo!
28.11.08
Inspiração no Gingado Chiclete
Putz, tenho tido dificuldade de escrever. Sim, reconheço. Tive belos momentos de escrever 5 ou 6 poesias num dia e achar tudo lindo e tal. Nas últimas semanas o espírito acadêmico tem me tomado e me deixado meio chato. Não sei se a leitura de Guimarães Rosa também não está trancando meu corpo poético e me embaralhando nas palavras do escritor mineiro e me deixando quase acanhado de escrever meus versinhos à margem. Enfim, sei que dar uma saída pode me ajudar. Boêmia é sempre algo interessante pra estimular a fabriqueta de versos loucos. E até uma ressaquinha ajuda a pensar melhor sobre os efeitos colaterais da vida. De qualquer forma guardei pro Eco do dia 4 de dezembro - Mezcla, 20:30 - algumas coisas que julgo eu, são boas. E estarei lá. Fominha total, querendo falar em verso pra essa gente bronzeada. Tchu-tchu! No mais, em breve volto pra falar do Sarau do Festival Juventude em Foco.
Pra não perder a viagem deixo uns troços aí. Besos!
minha lindinha, não se desepere
não espere
masque todo seu chiclete
de maçã verde, respire
inspire o hálito
verde
inspire
-me
teu poeta, que se sente
mastigado por teu gingado
de chiclete
tua boca aflita
lábios adolescentes,
insandecem minha existência
22.11.08
Desabafo
um sem fim de versos marginais
dissonantes como os acordes mais
fortes, da guitarra de Lúcio Maia
rasgados, mal-educados, diacrônicos
sílabas apertadas livres
apertos incontáveis
tristes, tipo
uma nóia de Manu(el) Bandeira
Meu caro poeta, aprendi errando
que a palavra é arma mortal
um puta tiro que insiste em sair
pela culatra
e atingir a boca errante
de quem fala
a amarrar as mãos de quem
as escreve
a palavra é forma ingrata tal
o corpo de quem recebe as doses
alopáticas do bombardeio poético
e de cara fechada
vê a vida passar.
p.s: Importa mesmo é que o Galo Carijó é campeão. E eu estava lá.
16.11.08
palavra.delicia.coxa.wally
em conseqüência provavelmente da madrugada de ontem onde
conversamos bebemos ouvimos música de boa qualidade e a poesia
flutuou na minha cabeça como tem acontecido nos últimos meses
tenho ficado elétrico falando mais que a boca escrevendo mais que a pena
penando mais que a escrita bocando mais que a fala e nada de bocar o falo
o chacal é meu mestre quero ser como ele escrever pra sempre ser poeta
pra sempre transar poesia eternamente com estilo e leveza de se saber
poeta tipo goiaba que é uma palavra gostosa no rio de janeiro fevereiro e março, alô , alô seu chacrinha
e olha que sou mineiro absorto quase escroto de tão bairrista fiel como fel fe-la fe-la-la
aprendi isso com o lô borges (não ser absorto) mas ter bom gosto ao escolher o berço (e o túmulo)
enfim como só parei aqui pra escrever pro Wally Salomão, deixo uns versos pra este poeta, que nos deixou tem tempo:
uma palavra recatada é uma não-palavra
palavra boa é aquela que chega
como quem quer o mundo
chega pra ficar, tipo perfume
mulher bonita, bem vestida
uma palavra como
D-E-L-Í-C-I-A
que deixa todo mundo se perguntando
se é uma
gostosa moçoila
ou se era um refinado prato
de louça
mas palavra forte
deixa um certo medo
uma sensação incompleta, do tipo
que se sente quando se pronuncia a palavra
C-O-X-A
coxa é palavra interessante instigante
coxa da moça de fora pra fora
coxa da senhora matreira que um pedaço
mostra
coxa é onde para a meia daquelas roupinhas
sensuais que eu esqueci o nome
ou coxa de galinha que eu como feito viking
bárbaro barbarizao barbbudizado desbarbado babando
babado babador
de tanta fome que me dão as
palavras
Em dezembro tem ECO POÉTICO, No Mezcla, na primeira quinta do mês. E tenho dito.
15.11.08
Você já viu uma mulher derramar lágrimas pretas?
www.myspace.com/3namassa
12.11.08
ESPERANÇA
não curta uma de aposentado
ainda é cedo, eu sei
não escreveremos os mais belos clássicos
mas nossos versos serão fantásticos
e medidos na nossa capacidade
de sermos moleques
nas ruas desta cidade
let it be, let it be
qualquer coisa
ao som de um eletrotango
vamos chutar as
coisas amenas, como dizia o
velho Leminski
todas armas son buenas
vamos tomar de assalto
as ruas desta cidade
vamos versá-las em nosso
grosseiro tupiniquim
e dominar cada banco de praça
cada botequim
5.11.08
Meus heróis não morreram de overdose
a tento nostalgicamente viver o que passou
não sinto falta do desbunde nem
me abundo em sofás empoeirados
ouvindo discos arranhados
talvez tenha gostado um dia de me ver
no Arpoador aplaudindo o por do sol
mas param por aí minhas vontades anacrônicas
eu não amo o que não fui
nem sonho com o que seria
prefiro o doce risco do desconhecido
do incerto que me cerca num dia a dia
e prefiro as palavras de meu tempo
os dilemas
os poemas
tão nossos, intrisecos aos ossos
do ofício
do indicio
do orificio do relógio
que não para
tenho meu lugar, meu burro está na sombra
mas eu estou no sol, queimando o pavio
o fio
curto da nossa idade
em grandes escalas, gigantes cidades
meu combate, verdadeiro embate
não mais é com ditadores nanicos
com censores ridiculos
meu algoz é o dono da TV
o economista global que canta
e encanta com seu mantra oficial
e manda para a puta que o pariu
os sonhos mais simples dos moleques
da esquina
não, não sinto saudade
não sou deste tempo passado
com trilha sonora chata de tecladinhos
enjoados, cabelos laqueados
a musiquinha deprê não faz minha cabeça
o sol da praia não faz minha barba
nem faz minha cabeça barbara
que não chora pelos cantos
eu sou daqui
eu sou de agora
neste hoje sem ontem
é que minha alma chora
desculpe poeta
mas meus heróis
não morreram de overdose
31.10.08
Recordar é viver
EU UM ROMANCE DURADOURO
Afinal ela é paulista Eu sou mineiro
19.10.08
Poesia, pois é, ia!
desencano, em cana
um grave acidente de percursso
e se calhar, mando brasa
pra fritar
os encanados
pois poesia é assim
ia e não foi
pois é, ia...
escrito por Tiago Rattes seiláquando...
14.10.08
Ely Manoel
Em resposta a outros versos, recebi estes especiais de meu camarada Ely Manoel, que repasso pra tod@s:
Geléia sobremesa de feijoada
Para Tiago RattesGentileza rasteira de um abraço forte
Tem sido a delícia de todos os nossos encontros
Gentileza rasteira de um feijão forte
O batuque nosso de cada dia
Meus versos são mais doces
Depois que tomei café com tua geléia
Sambando contigo todo o meu carnaval
Meu amigo poeta de tantos amores
Herdeiro-irmão do sabor da nossa brasilidade.
Para quem quiser conhecer mais um pouco do trabalho deste filho de Benfica, revolucionário poeta da biomassa do samba do amor clique aqui!
8.10.08
25.9.08
Princesinha hype
me responda no sotaque adequado
não me deixe cabisbaixo de tanto torpor
te sinto meio cansada, pouco alucinada
sufocada pela fumaça
pela tristeza
princesinha hype
te imagino uma linda descolada
de botas e cartucheira querendo dançar
por 48 horas sem parar
vamos juntos minha nobre senhora
exorcizar a caretice
vamos bailar pelas ruas
por seus bares
seus monumentos
vamos juntos profanar todos medos
descobrir anseios
destampar os seios
para abalar seus primos chatos
vamos acampar no parque Halfeld
curtir o dia e anoite
para curtir o amanhecer
e esquecer
de tudo que passou