14.11.09

mais duas

Pó Compacto

reboca com galhardia a face

outrora não se usava no verão

esplendida geratriz do disfarce

mística musa do senão

ao imiscuir-se de sua beleza,

tenaz provoca sentidos.

desfere ilídimos olhares,

para desespero do marido.



Lápis de olho

desvia furtivamente o verdadeiro olhar

e guia alheios a perceber o que bem entende

arquiteta góticas, patricinhas, descoladas

desenha humores, sintomas, e preces.

constrói cena pré-noite; como

é bela, a uma, aventurar-se

riscando as vistas,

em tragédias, amores não consumados

dias de emoção

provoca lágrimas negras, e

torna-se elemento delicado

ainda que manchado ao

dia seguinte.

3.11.09

Top Coat

fosco a fossa, foste luz
apagaria teu sentido

torço tosco leito enrosca
teus pés na minha boca

sacia vontades extremas
no âmago, no imo esteiro

beijo e beijo escantilhado
procurando o brilho leito

mas tenso pescoço não relaxa
como a leve mão não se encosta
reflete lépido tarado
como a amada é casca grossa

crédito da foto, clique aqui.

29.10.09

inveja boa

lustra moçoilas lúbricas

adorna redundante

a mão mais bela, ó

que bela seria


torna-se deusa única

de pernas abundantes

ama-se na banheira, só

provoca pantofobia


o rosto rubro.

provoca a queda,

inveja “vermelhecer”

açodada a excitação


quando do traslado

da doce filha de Eva

manda se foder

a costela de Adão

20.10.09

este, aquele, ou esse poeta

anseia a hipertensão, herança genética
que limita as bebidinhas e tira-gostos
e a vida abstêmica agrava a ansiedade
quando o labor excede a flor da vitalidade

(porém como bom poeta evita dar-se
ao luxo de respeitar recomendações
médicas, filosóficas ou psicanalíticas)

quando chega, finda dia, exausto
estende pés, pernas, coluna vertebral
no sofá a entornar pensamentos
encontra refúgio na amada
: e isso basta!

serve-se de leituras pouco ortodoxas
discos pouco conhecidos, exagera no café
sorve simpatia por seriados estadunidenses
e diverte-se ao cuidar de suas plantas


*publicado dia 20/10, editado dia 22/10, por motivos excusos e impublicáveis.

15.10.09

um dia eu saía do Mário Helênio
emocionado com um título do Galo Carijó,
e eis que ó:
um maluco com um sofá na cabeça.
quem me alertou foi meu camarada Gili.

Meu Galo Carijó é Psicodélico.


1.10.09

ECO - Performances Poéticas

Eco de outubro, com os convidados:

DAYSI AGUINAGA

LUCAS SOARES

LARISSA ANDRIOLI

JULIO POLIDORO


Segundo tempo: microfone aberto.

01 DE OUTUBRO, ESPAÇO MEZCLA as 20h
(Entrada Franca)

24.9.09

ping pong

poesia é algo controverso
pra não dizer contra-o-verso
algo maldito, feito doce
doçura
poesia é um proibidão
de fuzil na mão, é o erro dês-
elegante, tipo moça que
queda de sal-to-al-to
ao descer a escada. essa poesia,
essa menina, bem vestida
de esmaltes vermelhos, que adora
se olhar no espelho, esse remédio
pra vaidades e promessas vãs
essa tormenta pr’os vagabas
praianos de cabelo parafinado
essa desilusão cruel aos doutos
titulados, esse eterno
ping
pong
de oswald e mário.
esta poesia que só vale a pena
quando me adula, me louva
faz de suas linhas as
minhas, faz romper
com toda força esta barreira
esta arbitrária trincheira
entre arte e
vida.

12.9.09

Dúvida

Ao André Capilé

devo fazer versos inexoráveis
inextínguiveis? ou deveria
assinar o branco do papel
com marcas de meus amores

devo soar um poeta torpe?
ou um poeta soez? ser sossobro
rude, ou esperança delicada?

a despeito das contendas
devo rumar a um norte
ao menos [a um norte]
que não seja movimento
que a despeito, de ger(ações)
soe assombro, susto, sopro
bote, pó, que eleve
ou não leve
nada a lugar nenhum

mas que seja surpresa
onde reside o sustentáculo poético
de persistência da linguagem, sim

a surpresa

9.9.09

uma boa para essa sexta

Lançamento do Livro:
Mário e Oswald: Uma história privada do modernismo

de Anderson Pires da Silva.
Sexta feira 11 de setembro 19hs
na Casa de cultura Av Rio Branco,3372

2.9.09

ECO, minha gente!

Todos ao Mezcla nesta quinta!


30.8.09

eu, deus, e eu.

E então deus (assim com letra minúscula) mediante a minha aflição duradoura em saber como seria eu em forma de mulher resolveu me acalentar a alma e permitir que tivesse essa visão esdrúxula. Mas não sem antes me interrogar, afinal, deus é Deus. Ou seria, Deus é deus? Mas enfim, caro leitor, o homem, ou sei lá o que seria, me questionou com um olhar desconfiado: afinal por que tu quer ver como seria você, simetricamente, caso fosse mulher? Quer ter a experiência de alteridade máxima no gênero? Quer sentir a sensação de encontrar a alma gêmea de fato? E eu timidamente de frente ao todo poderoso joguei aberto ao máximo e disse que nada de grandioso movia minha curiosidade estranha. Eu estava até satisfeito com minha vida, minha auto-estima era algo razoavelmente resignada. Quando eu era magro demais conheci mulheres que achavam isso um charme e aproveitava disto para praticar esportes. Quando resolvi deixar a barba por desleixo, eis que vem os Los Hermanos e as meninas passaram a achar isso um charme. Quando engordei e uma barriga aqui nasceu me disseram com propriedade que barriga tanquinho era over, cafona. E eu então, ó deus que me interpela, sou muito feliz do jeito que sou. E o que me infelicita eu transformo em poesia e fica todo mundo achando lindo. Mas se tem algo que me deixa inseguro é que: se eu tivesse nascido mulher, como eu seria? Daria tudo pra ter a resposta a esse frívolo questionamento. Seria eu uma graça? Uma mulher decidida? Livre? E mais ainda, faria sucesso com os homens? E o deus, todo bonzão, disse que me concederia este desejo por alguns minutos e que eu agüentasse as conseqüências. E num passe de mágica (afinal como haveria de ser uma coisa de deus?) eis que repousa na minha frente uma garota de 26 anos. A primeira vista não me vi ali. Ela me olhou com cara desconfiada como se quisesse entender o que tanto eu olhava. Se vestia bem, melhor do que. Os cabelos eram estranhos. Fiquei injuriado que minha similar não tinha um nariz de respeito como tem essa minha raça. Eu tentei explica-la o que estava acontecendo, disse que ela precisava participar intensamente da minha experiência para o bem da minha humanidade e que eu queria ter a sensação de dar um abraço em mim mesmo, na versão feminina. No fundo eu queria era saber se eu cheirava bem. E, caro leitor, eu lhe digo que o perfume era bom. Apesar do abraço não nos demos bem. Saímos para beber uma cerveja e a única coisa em que concordamos: a pinga era algo supremo. Eu dormi na mesa depois da quinta dose e ela parecia estar firme, e descobri: minha versão feminina não devia ter insônia, afinal esta maldita dificuldade de dormir me mata e me faz ter sono depois de beber e às vezes provoca amnésias horríveis. Ela comeu meu chouriço e eu achei isso terminantemente uma péssima semelhança já que eu achei um dia que era a única pessoa do mundo capaz de matar a fome comendo um prato de chouriço apimentado. Por fim depois de bebermos tanto fomos pra casa ouvir discos de vinil e eu achei que pudesse até rolar um clima comigo mesmo, mas a sensação era horrível. Ela riu de mim e disse que eu era um neurótico e me permitiu até sentir sua textura corporal e eu até me achei gostosinha. Antes de acabar o LP Clube da Esquina 2, o deus tão cruel, interrompeu a experiência e me levou eu mesmo de lá, se é que o leitor me entende. Antes do chefe partir agradeci e disse que estava satisfeito, mas que gostaria de pedir qualquer dia desses que ele me permitisse uma experiência nova. E o deus ranzinza me mandou calar a boca e foi embora resmungando alegando que tinha coisa mais importante pra fazer, como conseguir mais seguidores no twitter e assistir Usain Bolt desafiar as regras criadas por ele.

24.8.09

sutilezas safadas*

primeiro ato, soa a campanhia (eu tremo)
burt bacharach's geatest hits
desliza insolentemente na vitrola

segundo ato, [onde está o abridor?]
eu bebo.
eu bebo...
mas não desgrudo os olhos do teu an-
dar.
(desde sempre estive curioso pra ver se teus pés
são isso tudo mesmo
: e são)

terceiro ato, eu descobri a ver-
dade
cinco vezes mais cicatrizes neste corpo
que eu imaginava, mas gostei

quarto ato
eu paro e escrevo os secretos versos
que peço que não conte a ninguém:

menina linda
que luta
menina branca
que dança
mire teus olhos
neste pedaço de mim.




*este título eu adotei na marotagem, na mão grande, afinal quem sugeriu foi o poeta André Capilé, e eu gostei e agora é meu, perdeu preíbói.

8.8.09

café da manhã

os pés brancos translúcidos de
falanges falanginhas falangetas
marcadas pela magreza elegante
que roçavam pela manhã no meu

pedindo um café da manhã,
mas não, é cedo pra sair debaixo
do edredom, é tarde pra terminar nosso
estudo anatômico acerca da veias azuis que
cismam
em transparecer por este corpo
branco, ainda é cedo.

pela tarde peça torradas ovos quentes
leite morno
café
peça e implore pra que joguemos toda esta
joça pela janela
e que termine tudo em coito louco
pr’aqueu prove a ti
que teus olhos me excitam mais
que as marcas deixadas pelas tiras
da sandália de salto alto.

4.8.09

16.7.09

ando escrevendo uma tese (dissertação?) de mestrado. tá tudo atravan -
cado: vida dura
mas eu
vol-
to.

7.7.09

sou igualzinho a você

eu não li Borges
eu não fui na flip
eu não gosto de cineastas
eu não sou junkie
eu não sou anti-acadêmico
eu não gosto de vodka
eu não gosto de ramones
eu não conheço HQ's
eu não gosto de jovem guarda
eu não gosto de kitsch
eu não louvo chico buarque

eu gosto de azeite borges
eu sei dar ollie-flip
eu amo cinema
eu até me dou bem com junkies
eu odeio normas abnt
eu gosto de pinga
eu amo clash
eu adoro chargistas
eu não gosto de jovem guarda
eu adoro vintage
eu ouço chico buarque

dizem que tô perdendo tempo na vida
mas sou igualzinho a você

26.6.09

sambamar

sambamar
samba no mar (alguém já cantou)
samba pra amar
no armar (do corpo quente)
no armário (da vaidade)
armado peito forte
samba na cela,
em sesta
na escolta
na selva
no colo
no escopo
samba lá
samba nela, faz dela
passista, assista a miséria
que ela faz com os pés
na passarela e a passar
ela não resiste ao passar
por ela, toda assim
sambamar
samba pra amar
samba assim

17.6.09

Juiz de Fora é a cidade mineira menos barroca.
Aqui a mineiridade não é clichê. Nem blasé.
Não temos a procissão. Só a possessão.

Tupi or not Tupi, that’s the team.
Ou fantasma do mineirão. E as pesquisas oficiosas comprovam: cresce o número de torcedores de times da capital do estado, reduz o de seguidores das equipes da capital do império.

Aqui o tira-gosto nos butecos é o melhor do estado, quiçá do planetinha. Haja estômago.

Letras. Não citarei Murilo Mendes, Nem Affonso Romano. Nava, filho adotivo do Caminho Novo, é quem melhor descreveu tudo isto. E um pouco mais.

Basta assistir TV e desencarnar do corpo tendencioso e verá. As pessoas daqui tem um irrmediável sotaque mineiro. Mas é preciso assistir TV.

Seria covardia falar de música. E ponto final.

2.6.09

Deixa eu te contar_( à memória de Ana Cristina César)

deixa eu te contar que eu sinto saudade
deixa eu te saudar na subida pr'o quarto
de nós dois. deixa eu resguardar teu parto
que eu transo um amanhã pra nós dois
deixa
deixa pra depois
não esqueça de teu comprimidinho
a vida é assim, felicidade em caixas
não rasga
minhas cartas
que quando, um dia,
assim como alguém que nada quer,
eu for
de velhice, ou de airbus
você se lembrará pra sempre de mim

Ana Cristina César

28.5.09

novidade

estética est ética
seria? ao menos
eu saberia

e a arte vai brincado pelo mundo
de ser rock'n roll
ah se tudo fosse rock'n roll!
era só um chacoalhar de ossos
ah se tudo fosse van gogh!
era todo mundo grogue
arrancando as orelhinhas
mas não
tem muita pedra neste mundo
muita pedra pra ser quebrada
"corra camarada
o velho mundo está atrás de nós"
o homem que come o pão de ló da arte
tem que gotejar a pimenta da política
no fiofó

27.5.09

ando devagar (nunca tive pressa)
o blog voltará.
juro.

16.5.09

Salinas II

06:00 chega de dormir. a claridade não ajuda e o barulho do ar condicionado do vizinho só piora.
banho nesta terra é bom demais.
7:00 é hora de tomar um café. e grata surpresa: professora helena motta, aqui está, por conta da UAB. batemos um papo. café, pão de queijo, bolo de mandioca. adeus dieta.
07:30 o motorista nos busca e vou rumo ao pólo. de encontro dos alunos e alunas...
a oficina parece ter funcionado. ganhei um queijo, um requeijão e uma cachaça. eles souberam me agradar.

ao meio dia me despeço e vou almoçar. aqui a comida é pesada. todo cuidado é pouco. mas que é uma delícia é. tenho uma sensação de que a poeira aqui é coisa séria. antes de ir ao restaurante passei na feira. impressionante. todo tipo de coisa se vende. frutas, legumes, grãos. e carne. muuuitas carne. eu queria um chapéu de palha. mas tava com fome. fui embora.
almocei num restaurante chamado FOFOCA'S. muito bom.
13:20 me sentei na cachaçaria Artista e bati um papo. levei cachaças, claro.

Salinas tem um cheiro bom. Um ar diferente. um dia ainda descubro o que é.
por hora, converso via msn com meu amor, coisa boa!

15.5.09

Salinas I



5:12
da matina, um motorista gente boníssima
passa lá em casa e seguimos em frente, pra
buscar o resto da moçada, turma de gente fina
elegante e sincera.
5:40 estávamos rumo a capital das minas
dos matos gerais e conversamos sobre música
pernambuco e muito cinema, e que beleza
despejamo-nos em pampulha
às 9:40
check-in chequinho despacha a mala que pesa 9,9kg
no aeroporto uma menina maquiada distribui panfletos
alerta sobre a gripe suína com um baita sorrisão no rosto
10:30 rumo a pista, o detector de metais cisma com minha cara
(na verdade com meu cinto)
muita poeira sobrevoa o asfalto quente da cabeceira
e às 10:45 tamo junto e misturado com as nuvens
rumo a Montes Claros
vejo lá de cima o mineirão, a lagoa e nada mais
11:47 cirurgicamente como havia dito o piloto o art-cento e alguma coisa da Trip
treme todo até descer na pista de MOC
e começa aí a cruzada pelas veredas dste Grande Sertão
Meio dia!!!!! E rasgamos a Bê-érre-dois-cinco-um rumo a Salinas
e passamos por Bocaina, Buritizais lindos, siriemas, carcaças
poeira, vidas secas. o céu é lindo
14:10 eis Salinas. pedacinho de nordeste em Minas. ou vice-versa
hotelzinho, almoço num restaurante muito bom que o nome já define: Bakaninha
as 15 e cacetada a bola da vez é comprar cachaça: beija flor
aqui uma Anísio Santiago pode sair por 170 reais. sim! verdade!(em JF a garrafa chega a 300)
18:00 visita ao pólo me faz sentir que eu amo mesmo é educar e fazer parte disso tudo
e escrever me dá saudade de Ceci.

amanhã eu ralo. e depois volto.

13.5.09

O Rio

o Rio me ama, me desanda
me ama na cama, no drama
da bala perdida, me ama
no anagrama
de ama, que poder ser Mam
mas no Rio nada consta
apenas o anadrama
que sorve jovens em cada
grama
o Rio me grama, em cada
Posto 9, em cada Lapa
em cada Beco das Garrafas
em cada Travessa,
o Rio me atravessa
a alma nas Laranjeiras
me sorve nas luzes do
Dona Marta, sim senhora
o Rio me perde na hora
da cabana, de Copa
o Rio me afoga nos biquinis
na areia, no mosquito
no Rio, se sujar eu apito
me guardo na lata
me faço de aflito
o Rio me ama nos braços
da mulher que passa
na dura do guarda
o Rio está lá
a duzentos quilômetros
de segurança que me
separam de toda essa
beleza.

6.5.09

ECO PERFORMANCES POÉTICAS

Nesta quinta-feira, dia 7 de maio, no Mezcla, as 20h, entrada franca.

Convidados:
Rafael Miranda
Dudu Costa
Luiz Fernando priamo
Dois (não pares)
videos do Inhamis


vê se aparece!

20.4.09

dorzinha

me deixa só com
minha dor no peito
que uma dorzinha é
alegria inconstante
de quem se afoga
em excessos

teus cuidados amplos
reduzem minha capacidade
de abraçar-te

e eu fico só de longe
vendo você ir embora

11.4.09

semana santa

semana santa
de santa nada tem

fica todo mundo
querendo bolinar alguém

e eu cansado ressaqueado
fico tentando dormir
enquanto toca Gal Costa
na vitrola do vizinho ao lado

10.4.09

Mini-doc Eco, by Inhamis Filmes

minha menina dorme
conserva em sono
o doce gosto do bolo de queijo
com goiabada

e eu clamo a deus
que a vida tenha sempre
essa carinha feliz
da minha menina dormindo

6.4.09

pesadelo


às duas da tarde a cidade parecia estar morta
ou talvez meio moribunda
incompleta, só se respirava a poeira
das casas demolidas para se fazer mais sombra
no centro da cidade, e um milhão de carros
assobiavam como um comboio surdo

em silêncio a multidão
passeava e não se olhava
numa espécie de rito alucinado de indiferença

a cidade morreu
ou está insone?

40 graus de calor desumano assolam
a cidade indiferente que percorre as ruas
desnudas
entre ambulantes
numa espécie de bailado cheio de catárse

velhos brancos papeiam a conservação do
estado das coisas e tomam seu café
num papo idiota
que reflete
e repete a mesma história eterna

dentro dos apartamentos a televisão
mata o tesão
em ritos sumários de execução dos casais
perdidos iludidos babando o ódio da caretice
sem fim

o sono vira refém

são duas horas da madrugada
na cidade poesia onde os fantasmas
são vivos decadentes decanos assustados
prefeitos presos pobres colunistas
doces desempresários mal educados
chiques antiquados dotados de opinião

abro a janela e o ar da noite é temperado
com a surpresa onírica que
o céu da cidade não tem mais lua
os bebâdos não tem mais a rua
os eternos felizes perderam
os bancos das praças
os abraços sinceros
os sorrisos docemente exagerados
e não mais vagam
nem divagam pelas esquinas
ou butecos abençoados
(que aliás estão fechados)

lá no alto, no lugar da lua, uma noite em branco
indica que roubaram nossa esperança
e todos calados roncam
e roçam
e rolam
nos lençóis da indiferença

são seis horas da manhã
os olhos cheios de areia denunciam
a estranha noite
e a claridade ofuscante faz ainda mais
confudir se tudo foi realidade
ou pesadelo

e os poucos que acordaram
fingem que nada aconteceu.

21.3.09

radinho

não desligue o rádio zumzum
a anteninha dá choque
mas não me choca zy12 90 megahertz

nosso amor é AM
liga e pede a música
primeiro lugar nas paradas


19.3.09

s/ título_tiagorattes.ponto
achaste um jeito de me enganar. eu me surpreendi e encarei de frente o desafio de me tornar um novo homem, sem vícios, sem virtudes. esse talvez seja o grande homem do século xxi. um excepcional gerente das contas em dia de seu lar. vai haver futuro que a pena capital vai ser cortar gargantas de quem atrasar a mensalidade da academia de ginástica. comerei daqui pra frente frangos grelhados, coca cola zero. caráter zero virgula cinco. eu sei que a azia se mede de acordo com o susto. um soneto é indecifrável na medida que entorta palavras rubras e sangrentas. é por isso que ma humanidade vai se dividir entre aqueles que nunca escreveram um soneto, e aqueles que morreram tentando fazer algo parecido com Vinicius de Moraes ou Shakespeare. a humanidade perece por que desaprendeu a usar o corpo pra algo mais interessante.
cantei mil versos de flor
e joguei pra ti os espinhos
com a lingua pois na pressa
não mais esqueço que poesia
falada encantada
é voz
e voz é corpo esbelto magro
gordo parrudo
minha barriga chapada
minha pança de urso
importa que dessa boca saia poesia
e quando andastes por estas ruas de frio e flor saberá que seus ossos que doem denunciam que um dia você esqueceste de dormir a tempo de acordar no tempo de tomar seu café a tempo. tome tento menino, criança que não come não cresce. adulto que come, morre? pois todas as vovós esquecerem dos colesterois herois da industria farmaceutica e bioquimica. coma pra crescer. coma para morrer. beba água. e não morra afogado. mas pense bem, a vida é curta, até atravessar as ruas.

15.3.09

Sonhei com Nava

sonhei que dava um rolê com Pedro Nava,
nos encontramos às 13 horas
no pirulito mais famoso da cidade
para uma bela tarde, de prosas

e ele me revelava segredos ousados
guardados em sua memória
e eu abismado
queria que ele me contasse
histórias de Drummond,
para que pudessemos fazer piadas
acerca do poeta itabirano

confessei a ele que morria de inveja
de sua escrita e que era infeliz
por não ter sido eu o autor do Bau de Ossos

descemos o calçadão e tomamos um café
e ele indignado com o sabor do adoçante dietético
cobrou de mim mais seriedade da minha geração
sobre coisas elementares

e no fim do dia ríamos de Murilo Mendes
que subia pro Vitorino sabe-se lá por que

22.2.09

solícito

Hi dear friend,
volto como disse, despues dessa reforma. !hola! eu sou assim, bilingue, meio a meio, afanando supertições em línguas matreiras. Mando a ti minhas palavras, verdes, antes que caiam de maduras e manchem nosso chão de cimento queimado. Tão lindo. Saudade sim, não tem tradução. Mas como disse Chico Science, "esperança é quando a dor presente nos faz tentar outra vez".

Dude, mano "véio",
eu e minha menina linda andamos pensando em repousar em Buenos Aires. Sou louco pra experimentar a Quilmes, creio eu que lá também haja exemplares de Corona. Mas enfim, vontade maior é a de viajar. E seu chegar por lá, quero comprar uns discos de vinil, de Novo Tango.

Mas de qualquer forma em Cabo Frio a gente chega.

2.2.09

patricinha mor

seus lábios delineados, cabelo impecável
são uma espécie de armadilha para este poeta
que vos fala sobre suas desilusões
ou simplesmente prepara mais versos
para curtir uma de eterno apaixonado

mas, sim, falava de seus lábios (!)
reluzentes de longe,
nesta rua escura
decorando a paisagem chata
e sem graça da cidade
num dia de quase chuva

e que sorriso malandro você apresentava
disfarçando sua exacerbada classe social
que lhe fornecia o título de patricinha-mor
e eu que sempre botei banca de descolado
fiquei babando por ti

decidi que vou te botar em verso
desse jeito, sem jeito
pra te fazer dançar na folha branca
em letras garrafais
pra te fazer dormir
nos braços da miséria gostosa
da vida de verdade
e observar teus lábios delineados
enquanto repousa nos meus versos marginais

17.1.09

A enchente


a água subia rapidamente e ultrapassava meu medo de forma cavalar, e sentíamos um frio na espinha ao perceber que uma fina camada de água cristalina resolveu passar por cima da ponte e tocar nossos sapatos - logo meu sapato de couro, sola de couro escorregadia que eu risquei com o canivete pra não escorregar mais - arriscado ali de se molhar e pesar nos meus pés. enchente é coisa séria. veio ontem um homem que ninguém sabia bem que era e gritava como louco, montado num cavalo preto - "lá vem a tromba d'água" - só sei que meu pai largou até o chapéu de feltro e resolveu acudir minha mãe, a juntar os trapos e salvar o velho rádio de madeira com "dial" prateado que sintonizava aos berros a rádio nacional. eu vesti calças, camisa de botão e um paletó. e meus sapatos novos. minha vó mora no alto e nos aceitara em sua casa enquanto passa esta tormenta. tormenta de água. água forte a molhar a canela até mesmo de quem mora na rua halfeld. eu achei graça das moças levantando os vestidos até o meio da canela e mostrando as meias brancas, tão pálidas quanto os rostinhos cheios de pó compacto. no meio da confusão alguém perdeu um chapéu do estilo "côco", e eu coloquei na cabeça e me debrucei na ponte a avistar a água subir e fazer estragos, peralta, pelas ruas desta cidade. a chuva me molhou e minha mãe me disse - "pareces um carroceiro, viajante, com estas roupas largas e este chapéu engraçado". e eu queria naquele momento ser mesmo viajante e só estar ali de passagem. eu ria de nervoso e acreditei que o rio ia engolir tudo. as ruas, as casas, a escola e Josefina. Ah, Josefina, linda garota, de dentinhos separados e sardinhas no rosto. Que a água leve tudo! Menos minha Josefina. E de pranto em pranto deixei estes versos pra água levar: quem nunca quis morar na beira do rio, o rio vai morar na beira de tua porta. vai assombrar tua loja, vai subir e descer tuas escadas a fazer um barulho estranho de água que lava e leva lavra novos caminhos atalhos densos, auspiciosos de memória e guardará pra sempre no coração a ponte, que parecia as meninas (que levantavam as saias), a erguer-se pra passar a água

13.1.09

(nada)

hesitei, hesitava, não hesito mais
não mais permito a dor do corpo
me servir de escopo para regredir
nem tolero passos adiante
nem caso mediante sorrisos desconjuros beijos descompassos

sou poeta, sim,
sei que você não gosta destes rótulos pretenciosos
sei que tu cara de tatu,
odeia tudo que inspira liberdade
mas eu sou assim não hesito mais,
nem menos meço meu tempo
em palavrinhas maleducadas contra ti, tu, nós, vós, voz
tornei-me atirador de eliteversos,
desconversos
meu relógio já não mais para
nem faz o velho tic tac careta
de quem vê passar o tempo,
no silêncio agora eu sou assim,
eu conto um causo aumento um ponto,
invento contos disco telefones errados,
aguardo telefonemas que nunca vem,
cartas que nunca chegam
mas de peito aberto sou morno,
quente quando a hora cola
e de certo acerto o alvo
e celebro com taças imaginárias cada dia vivido,
como se fosse um passo duro em direção à nada

(aproveito pra dizer: um feliz doismilenove! poesia.arte.e tudo mais)

29.12.08

2009 é logo ali (re-load)

2009 é logo ali, e eu vou lá. haverá de ser assim, melhor. 2008: 100 anos do nascimento de cartola e guimarães rosa. repare que este ano termina em 8, e oito deitadinho é o símbolo do infinito, obsessão do joão. 100 anos da morte de machado. 40 anos do maio de 68. 60 da declaração dos direitos humanos. 20 da constituição cidadã. até o rappa lançou disco, depois de 5 longos anos. mas 2008 já vai. bye, bye. por hoje chega de ti, ano doido. fechamos ti, com sapatada no bush. na verdade não. israel presenteou o mundo com bombas em gaza. e eu levantei um cartaz, tipo um cara bobo no estádio: "eu já sabia". um milhão e oitocentas mil pessoas vivem num território 10 vezes menor que são paulo, chamado gaza. passam fome. não tem escola. e recebem uma chuva de bombas de israel, pra comemorar o ano novo. na verdade não, o ano novo judaico já passou. 2008 é ano de redenção. de ápice. Galo Carijó, campeão da Taça Minas. eu vi. e chorei de cantinho. emocionado feito criança. 2008 eu lancei um livro. tá bom, foi em janeiro, nem lembrava que tinha sido em 2008. mas lancei. e sou outro por causa disso. 2008 obamania. 2008 crise louca recessiva. tenho preguiça de enumerar coisas legais e chatas que aconteceram. sei que passou. e 2009 é logo ali. vamos em verso, em prosa. fazendo arte. arteiros, artistas, matreiros.

23.12.08

CARTINHA AO PAPAI NOEL, COM CÓPIA OCULTA AO GILMARZINHO


gilmarzinho minha flor
se eu não tivesse optado
em ser professor de escola pública,
quando crescesse queria ser como você
homem togado íntegro, inteligente
mas nem por isso deixei de rasgar minha seda
por ti, homem forte da alta corte
e é por isso que neste natal
presto uma singela homenagem a você
quero que papai noel me dê,
caso eu mije fora do meu peniquinho,
um belo advogado como ti, assim
como ele deu ao Danielzinho
se eu enriquecer, ó gilmar homem-da-lei
que deus me brinde com a transubstanciação
do vinho em corpos, habeas corpus
nem quero, ó gilmar mestre-da-carta-magna,
mais de um em dois dias, me basta apenas um
em toda vida, pr’eu curtir uma onda
com a cara desses meus amigos
eu quero, muito, cantar um jingle bell
sapateando na mesa daquele delegadinho
metido a besta
quero comer rabanada e sujar de açucar
a cabeça daquele juizinho paulista
e nós, ó gilmar mente brilhante,
cantaremos, sem algemas é claro, noite feliz
noite feliz, com as boquinhas supremas
cheias de farofa
eu quero muito, muito que papai noel
me abençoe com este presente
e caso aconteça, gilmarzinho meu doce de côco,
da polícia federal cagar no sapatinho
que eu coloquei na janela do meu banco
de investimentos
você virá tal como a fada sininho
pra me salvar das garras destes fascistas
que nada entendem desta nossa constituição
nem compreendem que em ti
reina o ano inteiro um espírito natalino,
um quase amor de mãe por essa gente sofrida
que durante o ano inteiro
sofre,
sofre,
sofre comendo caviarzinhos
e bebendo prosecos,
vem comigo gilmarzinho, meu brilhante lapidado,
comemorar este natal
que gente como a gente
está acima do bem
e do mal

15.12.08

na tal

não mais prometo me comportar nem te respeitar não mais não mais ó princesa altruísta que tanto me faz feliz eu vou te atacar como um selvagem vou saquear teu universo sacana vou tornar-me um sacal te grafar em versos travessos entre pontos e travessões eu to mais querendo me afundar nessa sopa então vem me dar sopa vem me ajudar a dar sentido a essas palavras perdidas e diga sim sim sim yes pra mim sai dessas compras chatas de natal manda o papai noel pro beleléu larga essas sacolas chatolas e vem pro futrica tomar um chope geladinho pra fazer dessa manhã de sábado algo muuuuito mais legal how how how é natal


a ilustração chama-se Hunters do fodão do Banksy. olink taí do lado.

12.12.08

então...

um poeta deve escolher as palavras com que grau de atenção? o vernáculo, o pendão, a lingua pátria, o dicionário. Mc Manu (el) Bandeira já deteve o ímpeto dos virtuosos ao anunciar em sua "Poética" a morte do lirismo careta, do antilirismo-antilibertação. eu quero é comer palavras pela cara que elas têm. eu escolho assim meu alimento. eu olho bem pra cara dele, cheiro, e depois devoro dentro da noção do que é mais agradável. o melhor exercício da palavra é fazê-la ter um valor estético. mas não esqueçam. a palavra nasce pra ser dita. seja com a boca. seja com as mãos. é por isso que não consigo pensar muito nelas. guardo meu tempo pra ficar armando estratégias para assustar senhores e senhoras. deixa camões dormir sossegado. ele lá, eu cá. tipo uma estátua de bronze. eu recorro a ele tipo turista de frente pra drummond no rio, ou itabira. sento e tiro uma foto. mas drummond é mais vivo que camões. drummond é hoje o eixo estruturante. em volta, somos todos luzes de natal. mas quem brilha mais é oswald, bandeira, romano, chacal. é por isso que um poeta deve escolher bem as palavras. sem virtuose.

versos da hora:

ei minha nobre dama
larga essa pose singela
se enxerga
a cama, mesa
me banha

10.12.08

Augusto nasceu!

e por isso reedito esses versos pra esse moleque esperto...

esses versinhos, versinhões,
versiados,acanhados
aqui ficarão até mamãe perceber
e você nascer

não faltará pra este bebê
o que beber
de versos gelados quentes
escaldados
sonhos doces, salgados
beijos abraços apertados
"gudi-gudis"
"bilu-bilus"
pink ou blue?
tipo assim
bebê,vem que o mundo é teu
e vê se abre o olho
senão o titio aqui te versa

9.12.08

26 anos

hoje faço 26 anos e
o coração continua parado
curtindo a paisagem, se fazendo
de esperto,
o sangue nunca se esvai
não sigo rumo dos rios, fico plácido
tal qual lagoa
escuto esforçado o som da natureza
como quem exprime, ou tenta, o que
há de melhor, o que virá
fico tonto, incerto, a cada passo
evito decisões, incisões, suturas
em fuga desvio de medos
prefiro o incerto ao certinho bordado
prefiro a vida
desfiada
se cada pedaço pode
melhor ser aproveitado

eu piso nas poças
molho a barra da calça
enxarco a gola
eu quero mais é que chova no
teu quintalzinho, quero
mais é menos
quero muito
o ameno

faço 26 anos cheio de contradições
que sinto eu
são uma espécie de banquete
sem filosofia
ou sem preliminares
eu sigo
assim
em frente
sem mapa
só com uma bússola
que indica o caminho
da tal felicidade

4.12.08

Duas poesias


APRENDIZADO

ao Fernando Fiorese

nesta cidade aprendi a ser poeta
(se é que isso se aprende)
doutorei-me nas mesas de bar
nos colos alheios, nas páginas dos livros
nos artigos e seus incísos
e nas ruas
por onde andei obsessivamente
calculando os metros percorridos
no chão pisado por personagens
de destaque ou anônimos
fiz banco de escola.
meu dicionário sempre foi
o “Mínimo” onde encontrei sentido
nas palavras
fiz da vida urbana uma sacada
a olhar passar os carros
as moças, os fatos
os versos que eu aprisiono no papel



ARREMEDO MALANDREADO

à memória de Oswald de Andrade

diz o culto português
na expectativa da chegada
do coletivo:
“lá vem o ônibus...”

na minha terra
resconstrói-se
a lingua máter
num arremedo malandreado e dizem:
“ê-vem o ônibus...”

e todo mundo é feliz
eveindo vida a fora...

2.12.08

Eco! ooooooooooo!

Eco Poético
O último do ano!
Nesta Quinta-Feira, dia 4 de dezembro
às 20h, no Mezcla

28.11.08

Inspiração no Gingado Chiclete

Putz, tenho tido dificuldade de escrever. Sim, reconheço. Tive belos momentos de escrever 5 ou 6 poesias num dia e achar tudo lindo e tal. Nas últimas semanas o espírito acadêmico tem me tomado e me deixado meio chato. Não sei se a leitura de Guimarães Rosa também não está trancando meu corpo poético e me embaralhando nas palavras do escritor mineiro e me deixando quase acanhado de escrever meus versinhos à margem. Enfim, sei que dar uma saída pode me ajudar. Boêmia é sempre algo interessante pra estimular a fabriqueta de versos loucos. E até uma ressaquinha ajuda a pensar melhor sobre os efeitos colaterais da vida. De qualquer forma guardei pro Eco do dia 4 de dezembro - Mezcla, 20:30 - algumas coisas que julgo eu, são boas. E estarei lá. Fominha total, querendo falar em verso pra essa gente bronzeada. Tchu-tchu! No mais, em breve volto pra falar do Sarau do Festival Juventude em Foco.

Pra não perder a viagem deixo uns troços aí. Besos!

minha lindinha, não se desepere
não espere
masque todo seu chiclete
de maçã verde, respire
inspire o hálito
verde
inspire
-me
teu poeta, que se sente
mastigado por teu gingado
de chiclete
tua boca aflita
lábios adolescentes,
insandecem minha existência

22.11.08

Desabafo

essa vida é uma aposta furada estapafúrdia
um sem fim de versos marginais
dissonantes como os acordes mais
fortes, da guitarra de Lúcio Maia
rasgados, mal-educados, diacrônicos
sílabas apertadas livres
apertos incontáveis
tristes, tipo
uma nóia de Manu(el) Bandeira

Meu caro poeta, aprendi errando
que a palavra é arma mortal
um puta tiro que insiste em sair
pela culatra
e atingir a boca errante
de quem fala
a amarrar as mãos de quem
as escreve
a palavra é forma ingrata tal
o corpo de quem recebe as doses
alopáticas do bombardeio poético
e de cara fechada
vê a vida passar.



p.s: Importa mesmo é que o Galo Carijó é campeão. E eu estava lá.

16.11.08

palavra.delicia.coxa.wally

hoje eu acordei pensando em wally salomão, wally sailormoon
em conseqüência provavelmente da madrugada de ontem onde
conversamos bebemos ouvimos música de boa qualidade e a poesia
flutuou na minha cabeça como tem acontecido nos últimos meses
tenho ficado elétrico falando mais que a boca escrevendo mais que a pena
penando mais que a escrita bocando mais que a fala e nada de bocar o falo

o chacal é meu mestre quero ser como ele escrever pra sempre ser poeta
pra sempre transar poesia eternamente com estilo e leveza de se saber
poeta tipo goiaba que é uma palavra gostosa no rio de janeiro fevereiro e março, alô , alô seu chacrinha
e olha que sou mineiro absorto quase escroto de tão bairrista fiel como fel fe-la fe-la-la
aprendi isso com o lô borges (não ser absorto) mas ter bom gosto ao escolher o berço (e o túmulo)

enfim como só parei aqui pra escrever pro Wally Salomão, deixo uns versos pra este poeta, que nos deixou tem tempo:


uma palavra recatada é uma não-palavra
palavra boa é aquela que chega
como quem quer o mundo
chega pra ficar, tipo perfume
mulher bonita, bem vestida
uma palavra como
D-E-L-Í-C-I-A
que deixa todo mundo se perguntando
se é uma
gostosa moçoila
ou se era um refinado prato
de louça
mas palavra forte
deixa um certo medo
uma sensação incompleta, do tipo
que se sente quando se pronuncia a palavra
C-O-X-A
coxa é palavra interessante instigante
coxa da moça de fora pra fora
coxa da senhora matreira que um pedaço
mostra
coxa é onde para a meia daquelas roupinhas
sensuais que eu esqueci o nome
ou coxa de galinha que eu como feito viking
bárbaro barbarizao barbbudizado desbarbado babando
babado babador
de tanta fome que me dão as
palavras


Em dezembro tem ECO POÉTICO, No Mezcla, na primeira quinta do mês. E tenho dito.

15.11.08

Você já viu uma mulher derramar lágrimas pretas?

Eu já vi. E ouvi. Na voz do 3 na Massa, que aliás é a grande surpresa da música prapular brasileira (dois caras da Nação Zumbi + um cara do Coletivo Instituto). Todas canções tem relação com o universo feminino e são cantadas por diferentes convidadas, entre elas a Céu e a Pitty.Cuidado que vicia.

www.myspace.com/3namassa

12.11.08

ESPERANÇA

meu camarada, não coloque agora seu pijama
não curta uma de aposentado
ainda é cedo, eu sei
não escreveremos os mais belos clássicos
mas nossos versos serão fantásticos
e medidos na nossa capacidade
de sermos moleques
nas ruas desta cidade

let it be, let it be
qualquer coisa
ao som de um eletrotango
vamos chutar as
coisas amenas, como dizia o
velho Leminski
todas armas son buenas
vamos tomar de assalto
as ruas desta cidade
vamos versá-las em nosso
grosseiro tupiniquim
e dominar cada banco de praça
cada botequim

5.11.08

Meus heróis não morreram de overdose

não tenho saudades dos 80 nem tento
a tento nostalgicamente viver o que passou
não sinto falta do desbunde nem
me abundo em sofás empoeirados
ouvindo discos arranhados

talvez tenha gostado um dia de me ver
no Arpoador aplaudindo o por do sol
mas param por aí minhas vontades anacrônicas

eu não amo o que não fui
nem sonho com o que seria
prefiro o doce risco do desconhecido
do incerto que me cerca num dia a dia
e prefiro as palavras de meu tempo
os dilemas
os poemas
tão nossos, intrisecos aos ossos
do ofício
do indicio
do orificio do relógio
que não para

tenho meu lugar, meu burro está na sombra
mas eu estou no sol, queimando o pavio
o fio
curto da nossa idade
em grandes escalas, gigantes cidades

meu combate, verdadeiro embate
não mais é com ditadores nanicos
com censores ridiculos
meu algoz é o dono da TV
o economista global que canta
e encanta com seu mantra oficial
e manda para a puta que o pariu
os sonhos mais simples dos moleques
da esquina

não, não sinto saudade
não sou deste tempo passado
com trilha sonora chata de tecladinhos
enjoados, cabelos laqueados
a musiquinha deprê não faz minha cabeça
o sol da praia não faz minha barba
nem faz minha cabeça barbara
que não chora pelos cantos

eu sou daqui
eu sou de agora
neste hoje sem ontem
é que minha alma chora

desculpe poeta
mas meus heróis
não morreram de overdose

31.10.08

Recordar é viver

Amor proibido 

Ela Paulista,eu Mineiro
Ela pós moderna, eu de esquerda
Ela Yuppie, eu Hippie
Ela sem calcinha sempre, eu adolescente
Ela agnóstica, eu católico (afinal sou mineiro)
Eu brasileiro, ela estrangeira (afinal ela é paulista)
Eu Ouro Preto, Ela Nova Iorque
Eu Fogão á Lenha, ela microondas
Eu família, ela incesto
Eu vestido, ela nua
Eu violão, ela sampler (afinal ela é paulista)
Ela lanche, eu almoço (afinal sou mineiro)
Ela uma paixãozinha, eu amor eterno
Ela apartamento, eu sítio
Ela IRA!, eu Clube da Esquina
Ela Baudelarie, Eu Balzac
Ela Wally Salomão, Eu Ferreira Gular
Ela o irmão, eu minha mãe

EU UM ROMANCE DURADOURO
ELA UMA NOITE GOSTOSA

Afinal ela é paulista Eu sou mineiro

19.10.08

Poesia, pois é, ia!

me agravo
desencano, em cana
um grave acidente de percursso
e se calhar, mando brasa
pra fritar
os encanados
pois poesia é assim
ia e não foi
pois é, ia...


escrito por Tiago Rattes seiláquando...

14.10.08

Ely Manoel

Em resposta a outros versos, recebi estes especiais de meu camarada Ely Manoel, que repasso pra tod@s:


Geléia sobremesa de feijoada

Para Tiago Rattes

Gentileza rasteira de um abraço forte
Tem sido a delícia de todos os nossos encontros
Gentileza rasteira de um feijão forte
O batuque nosso de cada dia

Meus versos são mais doces
Depois que tomei café com tua geléia
Sambando contigo todo o meu carnaval
Meu amigo poeta de tantos amores
Herdeiro-irmão do sabor da nossa brasilidade.


Para quem quiser conhecer mais um pouco do trabalho deste filho de Benfica, revolucionário poeta da biomassa do samba do amor clique aqui!


8.10.08


vermelho de verso

25.9.08

Princesinha hype

bom dia princesa de minas,
me responda no sotaque adequado
não me deixe cabisbaixo de tanto torpor
te sinto meio cansada, pouco alucinada
sufocada pela fumaça
pela tristeza
princesinha hype
te imagino uma linda descolada
de botas e cartucheira querendo dançar
por 48 horas sem parar
vamos juntos minha nobre senhora
exorcizar a caretice
vamos bailar pelas ruas
por seus bares
seus monumentos

vamos juntos profanar todos medos
descobrir anseios
destampar os seios
para abalar seus primos chatos
vamos acampar no parque Halfeld
curtir o dia e anoite

para curtir o amanhecer
e esquecer
de tudo que passou

16.9.08

desculpe

desculpe baby se fui com muita sede
ao pote e enchi o copo
de esperanças risíveis,
me perdoe se baguncei teu cabelo
com minhas mãos carentes cheias
de movimentos quentes, carentes
desculpe baby se meu sorriso é cínico
cheio de tipo
estilo onírico
mineiro absorto
me perdoe se sou interesseiro, vagabundo
calhorda das palavras disfarçadas de boas intenções
desculpe baby
pelas segundas intenções de segunda categoria,
pois mesmo a carne de segunda é fraca
desculpe baby se encarno em mim
um personagem ridículo
cheio de trejeitos
clichê, todo blasé
que enfrenta a cara de pau como
esporte
sem porte
na sorte

desculpe baby
mas não resisti ao teu jeito
de sorrir
tua franja
que escondia as sobrancelhas
teu pescoço exposto

e versei no teu ouvido
pra te levar pra mim.

11.9.08

vasectomia chinesa

15 minutos de procedimento
2 dias de descanso
15 dias de jejum
xxxxxdias
de relax no babies