29.12.08

2009 é logo ali (re-load)

2009 é logo ali, e eu vou lá. haverá de ser assim, melhor. 2008: 100 anos do nascimento de cartola e guimarães rosa. repare que este ano termina em 8, e oito deitadinho é o símbolo do infinito, obsessão do joão. 100 anos da morte de machado. 40 anos do maio de 68. 60 da declaração dos direitos humanos. 20 da constituição cidadã. até o rappa lançou disco, depois de 5 longos anos. mas 2008 já vai. bye, bye. por hoje chega de ti, ano doido. fechamos ti, com sapatada no bush. na verdade não. israel presenteou o mundo com bombas em gaza. e eu levantei um cartaz, tipo um cara bobo no estádio: "eu já sabia". um milhão e oitocentas mil pessoas vivem num território 10 vezes menor que são paulo, chamado gaza. passam fome. não tem escola. e recebem uma chuva de bombas de israel, pra comemorar o ano novo. na verdade não, o ano novo judaico já passou. 2008 é ano de redenção. de ápice. Galo Carijó, campeão da Taça Minas. eu vi. e chorei de cantinho. emocionado feito criança. 2008 eu lancei um livro. tá bom, foi em janeiro, nem lembrava que tinha sido em 2008. mas lancei. e sou outro por causa disso. 2008 obamania. 2008 crise louca recessiva. tenho preguiça de enumerar coisas legais e chatas que aconteceram. sei que passou. e 2009 é logo ali. vamos em verso, em prosa. fazendo arte. arteiros, artistas, matreiros.

23.12.08

CARTINHA AO PAPAI NOEL, COM CÓPIA OCULTA AO GILMARZINHO


gilmarzinho minha flor
se eu não tivesse optado
em ser professor de escola pública,
quando crescesse queria ser como você
homem togado íntegro, inteligente
mas nem por isso deixei de rasgar minha seda
por ti, homem forte da alta corte
e é por isso que neste natal
presto uma singela homenagem a você
quero que papai noel me dê,
caso eu mije fora do meu peniquinho,
um belo advogado como ti, assim
como ele deu ao Danielzinho
se eu enriquecer, ó gilmar homem-da-lei
que deus me brinde com a transubstanciação
do vinho em corpos, habeas corpus
nem quero, ó gilmar mestre-da-carta-magna,
mais de um em dois dias, me basta apenas um
em toda vida, pr’eu curtir uma onda
com a cara desses meus amigos
eu quero, muito, cantar um jingle bell
sapateando na mesa daquele delegadinho
metido a besta
quero comer rabanada e sujar de açucar
a cabeça daquele juizinho paulista
e nós, ó gilmar mente brilhante,
cantaremos, sem algemas é claro, noite feliz
noite feliz, com as boquinhas supremas
cheias de farofa
eu quero muito, muito que papai noel
me abençoe com este presente
e caso aconteça, gilmarzinho meu doce de côco,
da polícia federal cagar no sapatinho
que eu coloquei na janela do meu banco
de investimentos
você virá tal como a fada sininho
pra me salvar das garras destes fascistas
que nada entendem desta nossa constituição
nem compreendem que em ti
reina o ano inteiro um espírito natalino,
um quase amor de mãe por essa gente sofrida
que durante o ano inteiro
sofre,
sofre,
sofre comendo caviarzinhos
e bebendo prosecos,
vem comigo gilmarzinho, meu brilhante lapidado,
comemorar este natal
que gente como a gente
está acima do bem
e do mal

15.12.08

na tal

não mais prometo me comportar nem te respeitar não mais não mais ó princesa altruísta que tanto me faz feliz eu vou te atacar como um selvagem vou saquear teu universo sacana vou tornar-me um sacal te grafar em versos travessos entre pontos e travessões eu to mais querendo me afundar nessa sopa então vem me dar sopa vem me ajudar a dar sentido a essas palavras perdidas e diga sim sim sim yes pra mim sai dessas compras chatas de natal manda o papai noel pro beleléu larga essas sacolas chatolas e vem pro futrica tomar um chope geladinho pra fazer dessa manhã de sábado algo muuuuito mais legal how how how é natal


a ilustração chama-se Hunters do fodão do Banksy. olink taí do lado.

12.12.08

então...

um poeta deve escolher as palavras com que grau de atenção? o vernáculo, o pendão, a lingua pátria, o dicionário. Mc Manu (el) Bandeira já deteve o ímpeto dos virtuosos ao anunciar em sua "Poética" a morte do lirismo careta, do antilirismo-antilibertação. eu quero é comer palavras pela cara que elas têm. eu escolho assim meu alimento. eu olho bem pra cara dele, cheiro, e depois devoro dentro da noção do que é mais agradável. o melhor exercício da palavra é fazê-la ter um valor estético. mas não esqueçam. a palavra nasce pra ser dita. seja com a boca. seja com as mãos. é por isso que não consigo pensar muito nelas. guardo meu tempo pra ficar armando estratégias para assustar senhores e senhoras. deixa camões dormir sossegado. ele lá, eu cá. tipo uma estátua de bronze. eu recorro a ele tipo turista de frente pra drummond no rio, ou itabira. sento e tiro uma foto. mas drummond é mais vivo que camões. drummond é hoje o eixo estruturante. em volta, somos todos luzes de natal. mas quem brilha mais é oswald, bandeira, romano, chacal. é por isso que um poeta deve escolher bem as palavras. sem virtuose.

versos da hora:

ei minha nobre dama
larga essa pose singela
se enxerga
a cama, mesa
me banha

10.12.08

Augusto nasceu!

e por isso reedito esses versos pra esse moleque esperto...

esses versinhos, versinhões,
versiados,acanhados
aqui ficarão até mamãe perceber
e você nascer

não faltará pra este bebê
o que beber
de versos gelados quentes
escaldados
sonhos doces, salgados
beijos abraços apertados
"gudi-gudis"
"bilu-bilus"
pink ou blue?
tipo assim
bebê,vem que o mundo é teu
e vê se abre o olho
senão o titio aqui te versa

9.12.08

26 anos

hoje faço 26 anos e
o coração continua parado
curtindo a paisagem, se fazendo
de esperto,
o sangue nunca se esvai
não sigo rumo dos rios, fico plácido
tal qual lagoa
escuto esforçado o som da natureza
como quem exprime, ou tenta, o que
há de melhor, o que virá
fico tonto, incerto, a cada passo
evito decisões, incisões, suturas
em fuga desvio de medos
prefiro o incerto ao certinho bordado
prefiro a vida
desfiada
se cada pedaço pode
melhor ser aproveitado

eu piso nas poças
molho a barra da calça
enxarco a gola
eu quero mais é que chova no
teu quintalzinho, quero
mais é menos
quero muito
o ameno

faço 26 anos cheio de contradições
que sinto eu
são uma espécie de banquete
sem filosofia
ou sem preliminares
eu sigo
assim
em frente
sem mapa
só com uma bússola
que indica o caminho
da tal felicidade

4.12.08

Duas poesias


APRENDIZADO

ao Fernando Fiorese

nesta cidade aprendi a ser poeta
(se é que isso se aprende)
doutorei-me nas mesas de bar
nos colos alheios, nas páginas dos livros
nos artigos e seus incísos
e nas ruas
por onde andei obsessivamente
calculando os metros percorridos
no chão pisado por personagens
de destaque ou anônimos
fiz banco de escola.
meu dicionário sempre foi
o “Mínimo” onde encontrei sentido
nas palavras
fiz da vida urbana uma sacada
a olhar passar os carros
as moças, os fatos
os versos que eu aprisiono no papel



ARREMEDO MALANDREADO

à memória de Oswald de Andrade

diz o culto português
na expectativa da chegada
do coletivo:
“lá vem o ônibus...”

na minha terra
resconstrói-se
a lingua máter
num arremedo malandreado e dizem:
“ê-vem o ônibus...”

e todo mundo é feliz
eveindo vida a fora...

2.12.08

Eco! ooooooooooo!

Eco Poético
O último do ano!
Nesta Quinta-Feira, dia 4 de dezembro
às 20h, no Mezcla

28.11.08

Inspiração no Gingado Chiclete

Putz, tenho tido dificuldade de escrever. Sim, reconheço. Tive belos momentos de escrever 5 ou 6 poesias num dia e achar tudo lindo e tal. Nas últimas semanas o espírito acadêmico tem me tomado e me deixado meio chato. Não sei se a leitura de Guimarães Rosa também não está trancando meu corpo poético e me embaralhando nas palavras do escritor mineiro e me deixando quase acanhado de escrever meus versinhos à margem. Enfim, sei que dar uma saída pode me ajudar. Boêmia é sempre algo interessante pra estimular a fabriqueta de versos loucos. E até uma ressaquinha ajuda a pensar melhor sobre os efeitos colaterais da vida. De qualquer forma guardei pro Eco do dia 4 de dezembro - Mezcla, 20:30 - algumas coisas que julgo eu, são boas. E estarei lá. Fominha total, querendo falar em verso pra essa gente bronzeada. Tchu-tchu! No mais, em breve volto pra falar do Sarau do Festival Juventude em Foco.

Pra não perder a viagem deixo uns troços aí. Besos!

minha lindinha, não se desepere
não espere
masque todo seu chiclete
de maçã verde, respire
inspire o hálito
verde
inspire
-me
teu poeta, que se sente
mastigado por teu gingado
de chiclete
tua boca aflita
lábios adolescentes,
insandecem minha existência

22.11.08

Desabafo

essa vida é uma aposta furada estapafúrdia
um sem fim de versos marginais
dissonantes como os acordes mais
fortes, da guitarra de Lúcio Maia
rasgados, mal-educados, diacrônicos
sílabas apertadas livres
apertos incontáveis
tristes, tipo
uma nóia de Manu(el) Bandeira

Meu caro poeta, aprendi errando
que a palavra é arma mortal
um puta tiro que insiste em sair
pela culatra
e atingir a boca errante
de quem fala
a amarrar as mãos de quem
as escreve
a palavra é forma ingrata tal
o corpo de quem recebe as doses
alopáticas do bombardeio poético
e de cara fechada
vê a vida passar.



p.s: Importa mesmo é que o Galo Carijó é campeão. E eu estava lá.

16.11.08

palavra.delicia.coxa.wally

hoje eu acordei pensando em wally salomão, wally sailormoon
em conseqüência provavelmente da madrugada de ontem onde
conversamos bebemos ouvimos música de boa qualidade e a poesia
flutuou na minha cabeça como tem acontecido nos últimos meses
tenho ficado elétrico falando mais que a boca escrevendo mais que a pena
penando mais que a escrita bocando mais que a fala e nada de bocar o falo

o chacal é meu mestre quero ser como ele escrever pra sempre ser poeta
pra sempre transar poesia eternamente com estilo e leveza de se saber
poeta tipo goiaba que é uma palavra gostosa no rio de janeiro fevereiro e março, alô , alô seu chacrinha
e olha que sou mineiro absorto quase escroto de tão bairrista fiel como fel fe-la fe-la-la
aprendi isso com o lô borges (não ser absorto) mas ter bom gosto ao escolher o berço (e o túmulo)

enfim como só parei aqui pra escrever pro Wally Salomão, deixo uns versos pra este poeta, que nos deixou tem tempo:


uma palavra recatada é uma não-palavra
palavra boa é aquela que chega
como quem quer o mundo
chega pra ficar, tipo perfume
mulher bonita, bem vestida
uma palavra como
D-E-L-Í-C-I-A
que deixa todo mundo se perguntando
se é uma
gostosa moçoila
ou se era um refinado prato
de louça
mas palavra forte
deixa um certo medo
uma sensação incompleta, do tipo
que se sente quando se pronuncia a palavra
C-O-X-A
coxa é palavra interessante instigante
coxa da moça de fora pra fora
coxa da senhora matreira que um pedaço
mostra
coxa é onde para a meia daquelas roupinhas
sensuais que eu esqueci o nome
ou coxa de galinha que eu como feito viking
bárbaro barbarizao barbbudizado desbarbado babando
babado babador
de tanta fome que me dão as
palavras


Em dezembro tem ECO POÉTICO, No Mezcla, na primeira quinta do mês. E tenho dito.

15.11.08

Você já viu uma mulher derramar lágrimas pretas?

Eu já vi. E ouvi. Na voz do 3 na Massa, que aliás é a grande surpresa da música prapular brasileira (dois caras da Nação Zumbi + um cara do Coletivo Instituto). Todas canções tem relação com o universo feminino e são cantadas por diferentes convidadas, entre elas a Céu e a Pitty.Cuidado que vicia.

www.myspace.com/3namassa

12.11.08

ESPERANÇA

meu camarada, não coloque agora seu pijama
não curta uma de aposentado
ainda é cedo, eu sei
não escreveremos os mais belos clássicos
mas nossos versos serão fantásticos
e medidos na nossa capacidade
de sermos moleques
nas ruas desta cidade

let it be, let it be
qualquer coisa
ao som de um eletrotango
vamos chutar as
coisas amenas, como dizia o
velho Leminski
todas armas son buenas
vamos tomar de assalto
as ruas desta cidade
vamos versá-las em nosso
grosseiro tupiniquim
e dominar cada banco de praça
cada botequim

5.11.08

Meus heróis não morreram de overdose

não tenho saudades dos 80 nem tento
a tento nostalgicamente viver o que passou
não sinto falta do desbunde nem
me abundo em sofás empoeirados
ouvindo discos arranhados

talvez tenha gostado um dia de me ver
no Arpoador aplaudindo o por do sol
mas param por aí minhas vontades anacrônicas

eu não amo o que não fui
nem sonho com o que seria
prefiro o doce risco do desconhecido
do incerto que me cerca num dia a dia
e prefiro as palavras de meu tempo
os dilemas
os poemas
tão nossos, intrisecos aos ossos
do ofício
do indicio
do orificio do relógio
que não para

tenho meu lugar, meu burro está na sombra
mas eu estou no sol, queimando o pavio
o fio
curto da nossa idade
em grandes escalas, gigantes cidades

meu combate, verdadeiro embate
não mais é com ditadores nanicos
com censores ridiculos
meu algoz é o dono da TV
o economista global que canta
e encanta com seu mantra oficial
e manda para a puta que o pariu
os sonhos mais simples dos moleques
da esquina

não, não sinto saudade
não sou deste tempo passado
com trilha sonora chata de tecladinhos
enjoados, cabelos laqueados
a musiquinha deprê não faz minha cabeça
o sol da praia não faz minha barba
nem faz minha cabeça barbara
que não chora pelos cantos

eu sou daqui
eu sou de agora
neste hoje sem ontem
é que minha alma chora

desculpe poeta
mas meus heróis
não morreram de overdose

31.10.08

Recordar é viver

Amor proibido 

Ela Paulista,eu Mineiro
Ela pós moderna, eu de esquerda
Ela Yuppie, eu Hippie
Ela sem calcinha sempre, eu adolescente
Ela agnóstica, eu católico (afinal sou mineiro)
Eu brasileiro, ela estrangeira (afinal ela é paulista)
Eu Ouro Preto, Ela Nova Iorque
Eu Fogão á Lenha, ela microondas
Eu família, ela incesto
Eu vestido, ela nua
Eu violão, ela sampler (afinal ela é paulista)
Ela lanche, eu almoço (afinal sou mineiro)
Ela uma paixãozinha, eu amor eterno
Ela apartamento, eu sítio
Ela IRA!, eu Clube da Esquina
Ela Baudelarie, Eu Balzac
Ela Wally Salomão, Eu Ferreira Gular
Ela o irmão, eu minha mãe

EU UM ROMANCE DURADOURO
ELA UMA NOITE GOSTOSA

Afinal ela é paulista Eu sou mineiro

19.10.08

Poesia, pois é, ia!

me agravo
desencano, em cana
um grave acidente de percursso
e se calhar, mando brasa
pra fritar
os encanados
pois poesia é assim
ia e não foi
pois é, ia...


escrito por Tiago Rattes seiláquando...

14.10.08

Ely Manoel

Em resposta a outros versos, recebi estes especiais de meu camarada Ely Manoel, que repasso pra tod@s:


Geléia sobremesa de feijoada

Para Tiago Rattes

Gentileza rasteira de um abraço forte
Tem sido a delícia de todos os nossos encontros
Gentileza rasteira de um feijão forte
O batuque nosso de cada dia

Meus versos são mais doces
Depois que tomei café com tua geléia
Sambando contigo todo o meu carnaval
Meu amigo poeta de tantos amores
Herdeiro-irmão do sabor da nossa brasilidade.


Para quem quiser conhecer mais um pouco do trabalho deste filho de Benfica, revolucionário poeta da biomassa do samba do amor clique aqui!


8.10.08


vermelho de verso

25.9.08

Princesinha hype

bom dia princesa de minas,
me responda no sotaque adequado
não me deixe cabisbaixo de tanto torpor
te sinto meio cansada, pouco alucinada
sufocada pela fumaça
pela tristeza
princesinha hype
te imagino uma linda descolada
de botas e cartucheira querendo dançar
por 48 horas sem parar
vamos juntos minha nobre senhora
exorcizar a caretice
vamos bailar pelas ruas
por seus bares
seus monumentos

vamos juntos profanar todos medos
descobrir anseios
destampar os seios
para abalar seus primos chatos
vamos acampar no parque Halfeld
curtir o dia e anoite

para curtir o amanhecer
e esquecer
de tudo que passou

16.9.08

desculpe

desculpe baby se fui com muita sede
ao pote e enchi o copo
de esperanças risíveis,
me perdoe se baguncei teu cabelo
com minhas mãos carentes cheias
de movimentos quentes, carentes
desculpe baby se meu sorriso é cínico
cheio de tipo
estilo onírico
mineiro absorto
me perdoe se sou interesseiro, vagabundo
calhorda das palavras disfarçadas de boas intenções
desculpe baby
pelas segundas intenções de segunda categoria,
pois mesmo a carne de segunda é fraca
desculpe baby se encarno em mim
um personagem ridículo
cheio de trejeitos
clichê, todo blasé
que enfrenta a cara de pau como
esporte
sem porte
na sorte

desculpe baby
mas não resisti ao teu jeito
de sorrir
tua franja
que escondia as sobrancelhas
teu pescoço exposto

e versei no teu ouvido
pra te levar pra mim.

11.9.08

vasectomia chinesa

15 minutos de procedimento
2 dias de descanso
15 dias de jejum
xxxxxdias
de relax no babies

11.8.08

Pseudo-elegia à Pequim

eis que vem ni mim pequim
com
seu arzinho caprichado
seu jeito todo duro
tipo moça
que não sabe
dançar
35 graus de indiferença
olímpica
policiais
propaganda
espetinho de escorpião
propaganda

pequim
cidade calada
muralha a metro
(ou seria metralha?)

no coração
da cidade gigante
Mao Tsé Tung
é um feroz atacante
de badminton

e eu pouco me lixando
acordo de madrugada pra ver
um judozinho

E atenção governo chinês: não fui eu quem inventou a piadinha acima. Favor não me prender, não me matar. Nem tenho grana pras balas. Beijos!

28.7.08

Para o Augusto, que vive de boa, numa barriga aconchegante

esses versinhos, versinhões, versiados,
acanhados aqui ficarão
até mamãe perceber e você nascer

não faltará pra este bebê
o que beber
de versos gelados
quentes
escaldados
sonhos
doces, salgados
beijos
abraços apertados
"gudi-gudis"
"bilu-bilus"
pink ou blue?

tipo assim
bebê,
vem que o mundo é teu
e vê se
abre o olho
senão o titio aqui
te versa

21.7.08

Lançamento e Workshop em Itabira

Como já havia dito estive em Itabira no dia 9 de julho para lançar o livro e ministrar um workshop à convite da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade . O evento fez parte da programação do 34º Festival de Inverno de Itabira. Foi uma experiência maravilhosa. Fui muito bem recebido e apresentado à cidade pela Alice Linhares que havia feito todo contato comigo. Lá conheci a Sra. Glória Menezes, superintendente da FCCDA, além de outras pessoas excepcionais envolvidas com a cultura em Itabira. Na parte da manhã estive na Rádio Itabira e dei uma entrevista para a Tatiana Linhares, que aliás é uma pessoa muito legal. O workshop foi muito bom. Vários jovens estiveram presentes e senti uma boa recepção. Fui homenageado pelos "Drummonzinhos", em especial o Luy Marlon que declamou uma poesia minha, "Rua Nova II", sendo este um momento de grande emoção. Além desse evento tive oportunidade de conhecer pontos importantes na vida de Drummond. Pretendo voltar a esta bela cidade que encarna tão bem a poesia e a mineiridade.



7.7.08

Eu, na terra de Drummond


É com todo orgulho e alegria que estarei lá...

5.6.08

Eu no III FestLer




Dia 06 de junho, sexta, às 19 horas estarei participando de um Sarau/Bate-papo no FestLer. Será no Setor Infantil da Biblioteca Murilo Mendes e contará com a participação de outros poetas.


Quem quiser aparecer...

11.5.08

Nós, colcha

arroubei-te

fora a fora por entre

os fios dos cabelos

e o suor

que escorregava as mãos por

entre as coxas

a destacar o sutiã na colcha

(as marcas de amor nos nossos lençóis)

e os gritos

confundem-se com a

redenção da alvorada

que nos abandonou

enquanto

a

copula

era só

alegria

16.4.08

Haja poesia

esperança
carrego tipo assim
embaixo do braço
assaz memória
queria eu
esquecer do fato
fadar o fraco
e enriquecer
a rima
pura
besteira

meu amigo, descobri
a vida é dura
haja poesia

12.3.08

escrevo por que to pouco me versando pra ti
escrevo por to nem lendo
escrevo por que escorro
recorro ao que escrevo

e tenho dito

o que não disse
que
se diga

7.2.08

"eeescuuute essa canção! ou qq bobageeeemmm!"

carnaval é uma data excepcional, sempre estampa mal-humor na cara de pessoas de mal com a vida. não me irrito com as multidões. me incomoda apenas onde a multidão mija. quase sempre em um lugar que sou obrigado a pisar. de resto carnaval é fodão. preciso me policiar sobre o hábito de frequentar supermercados. parece mania, além de proporcionar prazer ao comprar coisas pra casa. juro! pra casa mesmo, tipo óleo de soja. o problema que tudo isso custa dinheiro. e dinheiro é foda. falando em dinheiro ainda não me acostumei com a idéia de não dar aulas no quesnel. a cecília, a lápide do amor, o fluzão e a comidinha da mamãe tem me salvado de uma tristeza maior. falando em comidinha, outro dia descobrimos que no carnaval deve-se cortar derivados do leite, beber muita água e evitar o abuso do alcool. em um dia eu comi um queijo mineiro e bebi muitas cervejinhas. e o pior: nem um copo d'água. pela primeira vez na vida fiquei feliz em comprar uma ervista velha, a zupi de maio - julho. adoro! e parea pôr fim nestas lamúrias, quimeras, luxúrias palavráticas e outras merdas, deixo estes versos:
ontem sonhei com hoje
e tirei força nem sei
de onde
pra deixar
um prato vazio
um sopro de instante
gavetas abertas
portas
pra trás
descobri, meu camarada
sofro de incontinência literária

29.1.08

Sobre o lançamento d'A Lápide...

Apesar de quase "adoecer" de ansiedade, tudo deu certo. As expectativas quanto as presenças e receptividade do livro foram superadas, seja pelo carinho das pessoas, pelo amor à poesia, e pelo belo trabalho de divulgação da Cecília. Estiveram lá amigos e amigas de infância, companheiros e companheiras da militância, colegas de outrora, admiradores, familiares. As pessoas beberam, conversaram, tudo num clima de felcidade que eu mesmo não poderia deixar de transparcer. O pessoal da Livraria A Terceira Margem deu um suporte incrível desde que decidimos fazer lá o evento, até o último minuto. Enfim saio desta experiência satisfeito e passo agora a distribuir o livro. A idéia e disponibilizá-lo em mais livrarias e bancas de jornal de Juiz de Fora e de outras cidades do país.
E até o próximo.



Para comprar "A Lápide do Amor - outras poesias" envie um email para alapidedoamor@gmail.com e receba as instruções. O valor é de R$10,00 + frete para outras cidades.

7.1.08

be cool
(ou vai tomar no cool)

*na imagem, Mamul com Nozes, despretensioso

20.12.07

sem título

o segredo
da longevidade encontra-se
no conhecimento
furioso
do
copo
copoesia
cópula(pra cá)
cópula(pra )

18.12.07

poeta 24 horas

Affonso é o maior. Mesmo que Gular tenha escrito o maior poema de todos os tempos, o "Poema Sujo". Porém ambos não parecem ser poetas 24 horas como é Geraldo Carneiro. Tipo fico imaginando Geraldinho no buteco pedindo uma cerva em verso, comprando jiló em verso. Deve amar em verso. Sem naipe acadêmico do Affonso e sem o estilo jornalista do Gular. Geraldo é poeta "strictu-sensu". Antônio Cícero é meio linguísta. Chacal é agitador, teatral. Geraldinho, salve, salve.
e é só.

11.7.07

Rua Nova IV

Teus inconfundíveis berros, de crianças
a brincar na rua, saudavam as férias
noite e dia, no vento ultrajante
que fazia
secar as
roupas no varal, e havia
hora e minuto para comer
para divertir-se

com as palavras sentadas nos degraus
das portas alheias à falar alto
e incomodar os mais velhos, com
nossa
poesia inigualável
aspirando juventude
por sobre
o chão das casas
entre brinquedos
e brigas

e era uma rua
de traslado
obrigatório
reto e seco – ou chegava-se a linha férrea, ou chegava-se ao Paraibuna
o barulho de trem
ou de
água
o medo de enchente
nada era páreo
para
a felicidade
das crianças
de férias
entre bolas e bonecas
e olhares atentos de mães
auspiciosas


e a luta
era pra ver quem
seria
artilheiro
do malandro
futebol de rua

28.3.07

Vingança

tens sede de vingança, incompleta no sangue
de teus avós, teus pais, e teus irmãos
a quem a terra assassinou antes da hora
no martírio nosso de cada dia
que rouba cada minuto da felicidade

(sois ferramenta do mundo
descartada a cada dia
de exploração, noite sem sono)

as janelas abertas
denunciam as fugas
dos sonhos incontáveis
da vida livre
entre a pena e a espada
entre a enxada e o livro
entre o tapa e louça

e acorda a cada dia com
o espírito indomado
da vontade eterna de mudar

17.2.07

2020







escrevo como (tarsila)
quem cerca
o cerco
acerta
o seio
a espera


lástima o poeta espreita o peito a dor que cura
(Basquiat)







a quem a
deus serve a escrita
emputecida esgueira a porta aberta

5.2.07

Michel Melamed - Regurgitofagia 2

"Casa Comigo..."

12.1.07

O insurgente



- O que agüenta teu corpo – pergunta o patrão
- Nada mais – responde o insurgente
a mão rebelde
derruba o chicote
e assusta
a cômoda expressão
do explorador
que
não mais
dorme
cheio de confiança
e com a cheia pança
dos frutos de quem
planta
(mas não come)
seja o grão
do cereal
ou o doce
final
do pão

eis que o insurgente
derriba aflitos mapas
na praça, em busca da
especiosa raiz
(1)

ergue o
braço em riste
a voz

destrói pretensões

interrompe
covardias

Tiago Rattes de Andrade

(1) Affonso Romano de Sant’anna, Que país é este?

29.12.06

A morte espanta

foto: Sebastião Salgado

deitam folhas ásperas
os braços vicinais
entre o fruto flor boca
e a queda
a mão firme alterna
entre o susto
e desespero

mal sabe a dor cor
quem teme
a alma
acerta o beijo

a face
enrubesce

e a morte espanta

19.12.06

Conceição de todos nós

mais uma experimentação.... com toda ajuda da Cecí...

12.12.06

Meu bar, querido bar...

falando de bar? lembro-me de Aldir Blanc... sempre
Meu bar


meu bar, querido bar, onde
mesas de ferro compartilham sonhos com
boêmios tortos, ansiosos
onde cada gole
reflete um sonho, cada palavra é um gesto
em
meu querido bar. Refugio de minhas certezas
espaço aniquilidor de minhas duvidas
és fruto indelicado de agonia charmosa
de ser-se humano em essência

estalam copos e garrafas
sinfonia
aos meus ouvidos
e minha língua que só sossega
no doce gosto
da cana, ao me lembrar
o cheiro dos engenhos
em meus sonhos coloniais

meu querido bar
onde eu canto
e discurso tal qual Castro Alves
ou Noel
me
subverto
como Baudelaire
agonizo, choro, ao fim
na saudade expectativa de retorno
a morada
dos justos
lar de todos

espaço público

prefiro ti,
onde os fogões falam alto
e exalam aroma
dos apetitosos tira-gostos
que alimentam
seus soldados em
pratos proletários
das carnes
e tubérculos
não-nobres, dos quais
desfazem os mais abastados

prefiro ti, de frente à rua
onde vejo
as belas moças a passar
e pisar em meu coração
e despertar
meu intimo desejo
de viver

e viver, e viver, e viver
só em ti
é completa a vida

ò bar
meu querido bar

25.11.06

Uma poesia em homenagem a Dnar Rocha

o artista

ao Dnar Rocha (25/11/2006)



cores fulgidas
paisagens torpes, condecorando
a natureza
que sobrevive
nos traços
tácitos, do sábio
pincel silencioso, onde
a inspiração respira
a modernidade

o artista
compartilha-se na obra

seus olhos
braços
e boca
sobrevivem
(entre flores e igrejas)
nos relevos das tintas
sóbrias
por sobre a tela da vida
que consagra
o olhar
o andar
do artista
que, agora, timidamente
desfila no infinito

TIAGO RATTES DE ANDRADE

22.11.06

Poeta, o inadimplente

Poesia
é uma
nota
promissória

(que não
se paga)

9.11.06

poesia - sem título

uma experiencia de video poesia. desta vez blogada por aqui...

25.10.06

Compre Almas

Expresso em
descontentamento a morte das palavras, e
o virulento êxito da imagem

que vence o som da fala, das bocas em palavras

e dos gestos que acompanham
as letras que desafiam a imaginação

(o poeta de nada serve nesta terra,
se um dia serviu, teu reino foi deposto
e o poeta nada tem com esta cercania)

expresso em
agouro
o ouro dos tolos
que me seduzem, ou tentam
às favas das tolices
das
tecnologias, estéreis
que nada me fazem sentir

a arte deveras monolítica hoje
é apêndice
de cartazes
publicitários



- COMPRE ALMAS
enjoy


Por que a vida contemporânea é um slogan
E a tv inimiga obsessiva da insônia

16.10.06

Leminski fala sobre os poetas

Leminski explica por que os povos amam seus poetas...

4.10.06

Rua Nova II

Eu experimento as palavras e
o doce gosto da monumentalidade
da infância,ao ver oscarros
e os amigos caros,
amigos
passarem por
sobre a calçada que banha-se
na chuva e solve-se na alvorada
(aqui o sol foge de maneira diferente)
e as lágrimas“inevitam-se”
banhar os rostos contumazes
de emoção,
da saudade ensejada
nesta rua de pedras sob asfalto sob lágrimas sob enchentes sobfestas juninas
do doce gosto de pé de moleque
do soberbo gosto
do jogo da barraca
de bolo deminha vó
da quadrilha
do funk embotado nas janelas
nos passos de dança
coreografados na alma

me sinto feliz
ao pisara qui com estes
pés que aqui aprenderam a
andar com estes braços
que aprenderam a
abraçar e esta boca
que aprendeu a beijar
e estes olhos que
aqui aprenderam a enxergar
e a chorar

só aqui
onde deus dividia o céu
com minha pipa

27.9.06

muitas coisas.poucos pontos.coonestando a falta de nexo.dialogando.

a inspiração é indiscutivelmente a maior capacidade elucidativa que pode diferenciar os poetas, escritores, mortais, homens simples ou não, dos diversos outros seres que habitam os pormenores existenciais da língua. e inspiração é o que falta a todos na minha humilde opinião depois de Machado de Assis. para glauber rocha machado já era modernista mesmo sem saber. sua sintaxe atrevida, suas temáticas ousadas dentro da lógica hipersensivel que vivia a literatura. machado era poeta, mas foi enterrado como "prosista". para os necrofagos dos escritos de lingua portuguesa machado não era poeta. ora bolas, o romance vence a poesia. vide jorge amado. basta escrever sobre as excentricidades de uma região e virará um besta seller. a poesia é menos aberta a excentricidade por que tem exercicio linguistico de sobra. tieta do agreste não caberia num soneto sem parecer algo brega. para eles machado nunca escreveu poesia, e nm foi negro. por que nos ensinam na escola que machado era branco, ou não tinha cor. mas ele era um poeta negro, como cruz e souza, aliterando seus fonemas "esses".
e é vero que poesia e negritude são coisas essencialmente odiadas por qualquer elitizinha que existam em qualquer boteco. em juiz de fora é assim. a cidade é negra. mais da metade de sua população. é latente em suas manifestações a negritude. futebol de varzea. samba. pagode. folia de reis. congado. funk. hiphop. jazz. porém tudo iso fica escondido pela segregação racialgeografica imposta pela remodelação elitistahigienistaracialista da cidade no inicio do seculo XX. juiz de fora tem modernismo sem negritude. chega ser um absurdo impensavel. imaginar mario de andrade sem negritude. tarsila sem os traços afros. portinari sem traços afros. oswald sem o ritmo do berimbau. berimbau-capoeria. capoeira essa que é tratada na cidade por certas figuras que não merecem ter o nome citado como mero esporte. o sujeito vai a tv dar entrevista, sujeito dito escritor, e diz que capoeira não é cultura. ele, sujeito branco, que escreve roteiro de novela e livro jabaculê sobre boate da cidade, fala que capoeira não é cultura. é a reformaurbanahigienistapereirapassosmadeinjuizdefora continuando.
a poesia brasileira pós 22 é pura malemolencia. basta ler oswald. pós 50 é concreta como a realidade. pós 70 é marginal, como todos.
hoje luta é para explicar que existe a
boa poesia brasileira fora do rio de janeiro

12.9.06

s/ título

(viva o corpo que celebra a vida e vive
a ser, ainda que não, mesmo que sim
e sobrevive aos atalhos da morte,
sim a morte que ronda e esvai vida
pelos pulsos desatados que desperdiçam
as algemas do ser si mesmo)

e
poesia
vive nos
cantos, e nos encantos
daqueles
que perfuraram
a vontade e acordam
cedo; pra
ver
o
sol nascer




para assistir um video experimental dessa poesia clique aqui:

11.9.06

pois seria. ia. poesia

a cerca
da poesia - o tema
das
cores e fontes
pode
e é
espaço, entre
o acerto temível
e o desacerto
indescritivel

e poesia vai viver
profana nos lados de lá


poesia
pois ia

3.9.06

devaneio profícuo


poesia, és
bela
do lado
de lá
pois cá
não existe ti
ainda que
a pedra
role
e
o mundo rode
a cerca
que carrega
e cerca as esperanças
que devem
ficar
do lado
de fora, é triste
o fruto
sem luta
só luto
quando a roupa
preta
insiste
em saber-se
dona da verdade estética de
um corpo
que descansa em paz. jaz.

e a poesia acorda pra
cuspir
e tomar café
no bar
mais
longe
de todos nós. a dar nós,
em nossas vidas

31.8.06

a estrada. a vontade de chegar. o medo de deixá-la.

eram 4:52 a.m. num relógio digital. nenhuma rádio fm poderia ser sintonizada numa rodovia. e era de hábito ouvir uma rádio qualquer àquela hora.
a trepidação das rodas no asfalto balançava as duas garrafas vazias jogadas no chão sob o banco traseiro. e geravam uma espécie de música: o tinir das garrafas misturado com o rádio sem sintonia. e nessas horas confunde-se a neblina com a areia dos olhos.
dirigir era um daqueles raros prazeres solitários.
à diante as luzes coloridas indicavam um posto de gasolina. toparia uma parada para um lanche, daqueles de balcão, onde a fome duela com a desconfiança do estado das coisas. ao fim sentou-se à porta saboreando o café requentado; uma nova música nos ouvidos: as freadas hidráulicas incidindo no silêncio dos grilos da madrugada de uma estrada qualquer. o cheiro de posto tornava o café mais atraente e autorizava à mente aventuras de saudade.
de volta ao carro os primeiros minutos de volta à estrada pareciam segundos de silêncio obsequioso. e como passaram velozes. os olhos de areia marejaram-se ao tangenciar cada curva. o rádio ligado, enfim sintonizava. sinal da proximidade do destino.
tal fato misturava dessa vez felicidade em relação a chegada; mas aflição por deixar a estrada.

18.8.06

Eu vou arrumar as malas e vou embora de São Paulo

Eu vou arrumar as malas e vou embora de São Paulo. Guardarei minhas camisas e gravatas e deixarei a cidade; até hoje não encontrei a dura poesia concreta de tuas esquinas. Acomodarei as tesouras e alicates na minha nécessaire e vou embora porque José Serra construiu rampas embaixo dos viadutos para desalojar os moradores de rua. Em caixas seguras vou guardar meus discos e livros e pegarei o ônibus mais próximo que me leve daqui. Vou embora, pois aqui só existem microondas e celulares. Vou encher minha mochila com meus equipamentos e suprimentos, e desbravarei qualquer trilha que me tire daqui; antes que a Opus Dei eleja Alckimn. Colocarei todos os documentos na minha maleta 007 e gritarei: “táxi! Siga aquele lugar melhor!” Não posso viver mais aqui, enquanto a usp não construir um busto para Florestan Fernandes.
Guardarei todos os projetos arquitetônicos no canudo e corro daqui. Antes que os governantes daqui inaugurem mais uma dúzia de museus que piscam.
Colocarei minha carteira em uma pochete e comprarei um ticket do metrô e irei embora antes que haja mais carros que pessoas.
E os meus segredos, todos irão no meu baú e fugirei de navio, antes que o Tietê desapareça.
Guardarei minhas camisas Lacoste na minha mala Louis Vitton, antes que tudo vire Daslu.

Antes que armem um falseado grito do Ipiranga.
Antes que haja outro rodeio.
Antes que abracem Marcelo Rossi e esqueçam Evaristo Arns.
Antes que me ofereçam outro hot dog.
Antes que ouça outra buzina.
Antes que eu não veja o mar.
Antes que eu não veja as montanhas.
Antes que me obriguem a ler o Estadão.

Vou embora de São Paulo. De mala e cuia. Afinal, São Paulo já foi embora de mim.
Antes que eu deixasse de ser brasileiro.


(agrdeço a Cecília Delgado pelo trabalho de editoria, pelos conselhos e dicas jornalísticas que permitiram esse texto estar aqui!)

15.8.06

Neo(concret)izando o Maio de 68

no maio de 68
a sociedade civil

no maio de 68
a sociedade civil

no maio de 68
a sociedade civil

no maio de 68
a sociedade civil

no maio de 68
a sociedade civil

no maio de 68
a sociedade civil


no maio de 68
a sociedade se viu

8.8.06

O poeta versus o militante - Neruda em Moscou

Poucas obras evidenciaram o conflito vivo entre o artista e o militante como “Elegia” de Pablo Neruda. Obra póstuma publicada em 1974, reúne poesias escritas pelo poeta durante sua estada em Moscou no auge do regime soviético. Os versos guardam um grande poder de descrição da realidade lírica e política da URSS. Acrescido a isso o poeta se alterna entre a certeza e a ansiedade acerca dos frutos do regime. Uma Moscou, real, atormenta a cabeça do poeta; outra, idealizada, habita seu coração.

Moscou cidade de grandes asas
Albatroz da estepe


Nos versos Neruda constrói a Moscou que vive em suas ambições de militante

Moscou através de seus padecimentos
Instaurou a limpeza da história


Apesar da predisposição ao regime, o poeta pondera quanto Stálin

Logo dentro de Stálin
Passaram a viver Deus e o demônio


Elegia é um retrato do poeta em confronto com o político. Neruda sofre as intempéries do estalinismo que sufocam sua alma lírica. Na verdade ele ama a URSS de Maiakovsky, de Eisenstein, onde o agir político deveria ser instrumento cabal da realização que possibilitaria o homem tratar-se quanto sua própria matéria prima. Uma revolução a serviço da felicidade.(o próprio Marx escreveu sua tese de doutorado em filosofia sobre Epicuro)Obviamente o mundo real é força preponderante na poesia. Elegia quer dizer “poesia triste”. E esse parece ser o saldo final de Neruda em relação ao que vinha se transformando aquilo que parecia ser a maior possibilidade de experiência humana de todos os tempos. O militante , ser racional, se depara com aquilo que o poeta não aceita.E isso deixa marcas no poeta. O poeta militante carrega em si hoje um misto de tristeza e esperança muitas vezes marcado por um passado de erros e derrotas a que toda uma geração foi marcada. Tal fato se expressa nos versos de hoje, daqueles que abandonaram o engajamento ou não. Como diria Marx, no 18 Brumário: “a tradição de todas gerações mortas oprimem como um pesadelo o cérebro dos vivos”. Aos poetas-militantes resta por toda a vida alternar entre os versos de esperança e as maiores elegias. Até o dia de uma nova vitória.

2.8.06

Meu doce berço de cedro

em homenagem ao povo libanês

nas folhas que escoam
as gotas - pelo ósculo
(quase
um olho)
dos cedro que
habitam
os campos de glória
e beleza do Líbano
caem as gotas de meu pranto
no rosto seco
de minha gente

e chovem mísseis por sobre
as cabeças
de primos e primas, vitimados
pela
vontade
do arame farpado que se estende
na madrugada, e rouba
pedaços de família
escolas
comida

e se esvaem casamentos
(e filhos)
a morte chega rápida
(e pais)
a dor nunca se vai

quem estará mais perto de Deus?

a tal gente santa de Israel
lança a tira-colo bombas
entre os
lares
de gente como eu, e caem
dentro das almas, em fogo
a riscar de vermelho-sangue
o céu do Líbano

entre bombas e cantos...

jogam bombas
como se apagassem
a gana de coragem de uma gente
forte
amada
das danças, da música
dos lares
do cheiro de azeite, de pão
de carneiro
a temperar vidas que
resistem

como se apagassem minha memória
meus antecedentes, morais - meu ser
minha bravia redenção
meu doce berço de cedro
que embala
de tão longe
minhas
razões
minha existência

haverão bombas suficientes contra o porvir?